''Não sou coitado e nem herói'', desabafou o baterista Marcelo Yuka, de 35 anos, da banda O Rappa. Numa cadeira de rodas, o músico foi um dos destaques do carro lava-jato da escola de Padre Miguel, que retratou num telão cenas de violência para compor o enredo Paz e Harmonia, Mocidade é Alegria.
Atingido por três tiros numa tentativa de assalto na Tijuca, em novembro do ano passado, o músico desfilou com os punhos cerrados. ''Muita gente tem falado que simbolizo a paz. Quero dizer que minhas mãos fechadas, simbolizaram a resistência'', disse o baterista que luta para recuperar os movimentos das pernas e do braço esquerdo.
Vítima da criminalidade, Yuka criticou a política de combate ao crime. ''O governo tenta combater a violência com violência. Os bandidos têm armas e a polícia compra mais armas. O povo fica no meio desta guerra armamentista, quando, na verdade, tudo isso é hipocrisia. A violência, e todo mundo sabe, se combate com educação'', afirmou o baterista, recusando-se a falar sobre o seu estado de saúde.
Na opinião de Yuka, a proposta da Mocidade Independente de discutir a paz está em sincronia com o trabalho de sua banda. ''O enredo tem a ver com O Rappa. Falamos as mesmas coisas: paz e felicidade. As pessoas precisam ouvir. Por isso, aceitei o convite'', disse.
A empolgação do baterista também contagiou Falcão, vocalista dO Rappa. ''Foi bom demais. As pessoas, talvez, nem saberão o quanto. Teve momentos do desfile que me senti como se estivesse num show da banda junto com o meu parceiro Yuka'', afirmou. Falcão agradeceu ainda a oportunidade de ter participado do desfile no momento em que a escola discute a violência na cidade. ''Fiquei feliz. Aliás, meu tio foi o fundador do bloco ''Os Três Mosqueteiros'', que deu origem à Mocidade'', contou.
Padre esquenta bateria com oração