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Paixões sertanejas na avenida

Caprichosos de Pilares se rende ao sofrimento cantado pelas duplas caipiras


Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2001


João Paulo Engelbretch
Pelo menos uma opinião Vinícius de Moraes e o carnavalesco da Caprichosos de Pilares têm em comum. Enquanto o poetinha cantava "A vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não", o carnavalesco Jaime Cezário proclama que só quem sofreu por amor é capaz de entrar no clima e entender o desfile que a escola de Pilares vai fazer na Sapucaí.

"É uma aventura de amor, delírios de um apaixonado à procura de sua amada perdida. Só quem já experimentou essa loucura vai compreender o que nós vamos mostrar no Sambódromo", diz Jaime Cezário, que escolheu exibir o que que Goiás tem através da saga de um sambista carioca apaixonado que vai para a terra das duplas sertanejas em busca da mulher de sua vida.

Com carros alegóricos de 18 metros de comprimento, bem maiores do que a média, e enormes esculturas coloridas, Cezário promete um carnaval para disputar o título: "Não economizamos. Usamos tecidos importados e muito material de primeira. Pra dar uma idéia, na forração de carros, estamos colocando panos de R$ 20 o metro. O carnaval vai custar no mínimo R$ 1,8 milhão, e pode chegar a R$ 2 milhões".

Segundo a escola, tanto investimento só foi possível porque o governo de Goiás captou com a iniciativa privada R$ 600 mil e repassou o dinheiro para a Caprichosos.

"Com a ajuda de Goiás, pudemos preparar um grande carnaval, já que é meu primeiro ano na escola e eu não pude reciclar nada. Duvido que alguém tenha gasto mais blocos de isopor do que nós. Foram 215 blocos. E quanto ao resto, mais nobre não há. Usamos muitas plumas, veludos caríssimos e contratamos profissionais de primeira.

O escultor, o pintor de arte, todos são tops de linha", conta Jaime. Um dos carros da Caprichosos vai trazer uma homenagem ao cantor Leandro, da dupla Leandro e Leonardo, morto há dois anos.