Tia Eulália, fundadora da escola - que desde 1947 assiste de perto a todas as novidades criadas pela bateria, da introdução dos pratos pelo famoso ritmista Calixto até as adolescentes que estrearam tocando agogô no ano passado -, aprova as inovações.
"Essas coisas que a Império faz são importantes. É bonito, assim como as meninas na bateria", diz, animada, a matriarca e dona da carteira de associado n° 1 da escola. Tia Eulália, que completará 90 anos daqui a quinze dias, lidera na avenida três gerações da família (filha, netos e bisneta) A bisneta mais nova de, Pâmela, de apenas 10 anos, já ensaia os primeiros passos de samba na Império do Futuro. A dinastia do samba no Império Serrano promete.
Frigideiras - E de novidades a escola está cheia. "Na bateria da Império Serrano tudo se cria, nada se copia", a frase estampada na entrada da quadra revela o orgulho da escola pela criatividade de seus ritmistas. Este ano, a novidade vai ficar por conta de componentes de duas fileiras da bateria, que vão empunhar instrumentos nada ortodoxos: frigideiras de aço inox.
Não é a primeira vez que a Império transfere o instrumento da cozinha para a avenida. Foi na década de 60 que os primeiros sons de frigideira foram ouvidos no desfile, mas o instrumento acabou esquecido e deixou de fazer parte da bateria.
O jornalista Sérgio Cabral saúda a volta dos utensílios de cozinha ao samba: "É uma bela notícia. A Império inovou nesse assunto. Antes dela, a frigideira só era usada para fritar ovo, bife. O melhor é que a escola vai restabelecer uma coisa que infelizmente está desaparecendo: pelo timbre da bateria, já se podia saber qual escola ia entrar na avenida.
Outra coisa importante é lembrar - num tempo em que o carnaval está reduzido ao visual - que a festa é também ritmo, além de dança e canto". As frigideiras estão sendo fabricadas pelo Arsenal de Marinha com aço reforçado, para não amassar com a batida das baquetas.