REUTERS LONDRES, INGLATERRA - A Fórmula 1 sofre com a falta de inovação e precisa de uma completa reformulação para resistir à crise financeira global, disse na quarta-feira o dirigente Max Mosley, presidente da Federação Internacional do Automobilismo (FIA). – Precisamos reduzir custos dramaticamente e trazer a inovação de volta à Fórmula 1 – disse ele numa reunião da cúpula do automobilismo em Mônaco – Precisamos estabilizar o sistema com um motor-base, que qualquer um possa ter e não seja caro, e também com uma caixa de câmbio padronizada. Isso estabilizará a Fórmula 1 até que possamos trazer novos motores energeticamente eficientes, que indubitavelmente serão o futuro. Mosley também tem defendido com entusiasmo o sistema Kers, a ser introduzido em 2009, que captura energia gerada pelos freios e a transforma em potência adicional ao carro. Algumas equipes pedem o adiamento da novidade, e outras ameaçam começar a temporada sem ela. Mas o dirigente se mostrou otimista. – Um fabricante produziu sistemas elétricos que irão surpreender as pessoas quando aparecerem, outra equipe está trabalhando em uma tecnologia completamente nova, que também irá surpreender as pessoas – afirmou. – Mas algumas equipes de ponta, como a Ferrari, disseram que não gostam do Kers porque é 'complicado demais'. Dá para imaginar grandes engenheiros da F1, como (o fundador da Lotus, Colin) Chapman ou (o projetista da Cosworth DFV Keith) Duckworth dizendo: 'Não posso fazer porque é complicado demais'? Ainda nesta semana, uma outra reunião envolvendo as equipes irá discutir a proposta de um motor-padrão de baixo custo para 2010, além de estratégias para a sobrevivência da categoria em longo prazo. A Fórmula 1 sofreu um golpe na semana passada com a decisão da Honda de abandonar a categoria. Mosley alertou que outras fábricas podem fazer o mesmo. – A Honda saiu por causa da queda na venda de carros, e não há garantia de que essa queda nas vendas, que afeta todos os fabricantes, não irá se agravar. – Se isso ocorrer temos de nos preparar para que outras fábricas abandonem não só a Fórmula 1, mas outras áreas do automobilismo também – prosseguiu – O que está errado com a Fórmula 1 hoje estava errado antes que qualquer dos atuais problemas econômicos aparecesse", acrescentou Mosley, para quem a categoria precisa continuar sendo o supra-sumo da tecnologia automobilística.
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