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Bilionário e brasileiros apresentam Hoffenheim ao mundo

Portal Terra

RIO DE JANEIRO - Se estivesse em um dos maiores clubes brasileiros e aceitasse se transferir para a segunda divisão alemã, você provavelmente ouviria o mesmo que o meio-campista Carlos Eduardo ouviu quando foi contratado pelo Hoffenheim. Desacreditado até por alguns familiares, o jogador deixou o Grêmio em 2007 e fechou acordo com um clube que, em um ano, subiria para a elite do futebol local e surpreenderia ao chegar à liderança no Alemão.

A chave do sucesso começou com os investimentos de Dietmar Hopp, um dos principais bilionários do planeta, de acordo com a revista Forbes - que publica anualmente listas das pessoas mais ricas do mundo. O empresário, 68 anos, é um dos ex-cinco funcionários da IBM que fundaram em 1972 a SAP, uma das empresas líderes no ramo de softwares para gestão empresarial.

O gosto pelo futebol explica a injeção de recursos financeiros no Hoffenheim, ainda mais por Hopp ter passado pelo clube, entre os anos de 1954 e 1965. Com isso, passou a ajudar em 1989, mas foi somente em 2006 que a "generosidade" do ex-atacante aumentou, com a contratação de comissão técnica e jogadores e um planejamento para que o time subisse para a divisão principal alemã.

Na temporada passada, quando o Hoffenheim já figurava na segunda divisão do Campeonato Alemão (Bundesliga), Hopp, dono de 49% do clube e de uma fortuna de US$ 1 bilhão, desembolsou 20 milhões de euros para reforços. Surgem, então, o brasileiro Carlos Eduardo (Cadu) e os senegaleses Demba Ba e Chinedu Obasi, que melhoraram o desempenho da equipe e ajudaram a sacramentar o acesso.

– O clube cresceu, está crescendo cada vez mais, e o nosso presidente, o Dietmar Hopp, está investindo muito forte – disse o ex-gremista, de férias no Brasil – Fica pronta nossa arena agora em janeiro, e também em julho fica pronto nosso novo centro de treinamento, que vai ser um dos mais modernos da Europa.

A expectativa de Cadu, 21 anos, quanto ao novo estádio é a mesma que a dos torcedores do Hoffenheim. Em 2008, sem um estádio apto para a primeira divisão, o clube foi obrigado a mandar seus jogos no Estádio Carl Benz, em Mannheim. Nada que 40 milhões de euros não resolvessem. Neste mês, será inaugurado o luxuoso Rhein-Neckar-Arena, com capacidade para 30 mil torcedores.

A venda de ingressos para a partida de estréia, contra uma seleção regional, começa a partir do dia 12 de janeiro. O confronto, que será realizado no dia 24, tem entradas a partir de cinco euros, e será mais um dos sonhos concretizados pelo bilionário, que nasceu em Heidelberg, em 1940, mas foi criado em Hoffenheim.

Assim, subsidiado por um mecenas e tendo Cadu, o volante Luiz Gustavo e ainda um terceiro brasileiro, o atacante Wellington, o clube deixou a várzea para aparecer para o mundo. No campeonato nacional, encerrado o primeiro turno, soma 35 pontos em 17 jogos e fica à frente do Bayern de Munique pelos critérios de desempate.

– Nossa equipe já provou para muitas pessoas, que falaram que éramos a zebra do campeonato, pois agora a Alemanha fala que o Hoffenheim vem demonstrando um futebol bonito e talentoso – afirmou Cadu, que crê em título caso o elenco se mantenha focado na competição – Se a gente continuar assim, trabalhando tranqüilo, a tendência é brigar pelo título.

Aos que o criticaram quando aceitou a transferência para o desconhecido clube então na segunda divisão da Alemanha, o ex-jogador do Grêmio nem precisa dar respostas, pois o Hoffenheim já deixou de ser surpresa para o mundo com sua ascensão meteórica.

– Não gosto de rebater, mas acho que fiz um planejamento correto – conclui.

E, para os mais susperticiosos, o Hoffenheim é apenas o segundo time a emergir da divisão de acesso que se torna campeão de inverno na história da competição. Na temporada 1997/98, o Kaiserslautern, que havia ascendido no ano anterior, fez o mesmo e acabou se tornando campeão alemão ao final do segundo turno.

[16:29] - 03/01/2009 -  RSS