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KIEV/MOSCOU - Os fluxos do gás russo para quatro países da União Européia estavam abaixo dos níveis normais no sábado depois que Moscou cortou o suprimento à Ucrânia por divergências sobre preços do produto, e não há conversações à vista para resolver a disputa.
Com temperaturas abaixo de zero na Europa, a operadora Bulgargaz, da Bulgária, se juntou a outras empresas de energia na Polônia, Romênia e Hungria para dizer que tinha percebido quedas no fornecimento, embora os fluxos para a Alemanha, a maior economia da Europa, não tivessem sido afetados.
A União Européia, que recebe um quinto do gás que consome de dutos que atravessam a Ucrânia, disse que convocaria uma reunião de emergência segunda-feira, em Bruxelas, e exigiu que o trânsito e os contratos de fornecimento sejam honrados.
Mas as perspectivas de um acordo em meio às disputas parecem remotas. Moscou alega que Kiev estava roubando gás destinado à Europa e fazendo jogos políticos, enquanto a Ucrânia acusa a Rússia de fazer 'chantagem energética'.
Três anos depois que uma disputa semelhante provocou a interrupção do fornecimento, o temor dos europeus de que o fluxo de gás seja cortado no pior momento do inverno novamente se tornou realidade. E a reputação da Rússia como fornecedor confiável está novamente em questão.
A Polônia, que mais cedo tinha reportado uma queda no fornecimento russo, disse que as entregas via Ucrânia estavam agora 11 por cento reduzidas. A Hungria disse que a pressão do gás no duto proveniente da Ucrânia tinha se recuperado levemente, mas ainda estava abaixo dos níveis normais.
A empresa russa Gazprom, que detém o monopólio da exportação de gás, disse que estava aumentando o volume de entrega para a Europa em 52 milhões de metros cúbicos por dia, ou cerca de 16 por cento, para compensar o que acusa de estar sendo roubado ou bloqueado pela Ucrânia.
As entregas extras estão sendo bombeadas em torno da Ucrânia -- através da Bielorrússia e da Turquia -- assim como de instalações de armazenamento subterrâneo na Europa.
A Rússia suspendeu o suprimento para a Ucrânia no dia de ano-novo, no que classificou de pura disputa comercial, mas o que está por trás é um feroz desentendimento sobre a intenção de Kiev de se unir à Otan.
A Europa tem gás estocado o suficiente para administrar por vários dias a situação sem o fornecimento da Rússia. Mas ela poderá enfrentar dificuldades se o problema se arrastar por semanas, especialmente se o tempo frio aumentar a demanda, disseram analistas.
Sinalizando que a saída para a redução no fornecimento de gás ainda está distante, a Gazprom disse que Kiev não está pronta para retomar negociações.
- Eles não estão negociando porque não há ninguém para negociar. Isso parece que eles não estão pensando sobre o seu próprio país, que estão apenas fazendo jogos políticos - disse o presidente da Gazprom, Alexander Medvedev.
Regras de comportamento
Integrantes da Gazprom conversaram com funcionários na República Tcheca, que detém a presidência rotativa da União Européia, poucas horas depois que uma delegação da Ucrânia também tinha estado lá para pedir o apoio europeu.
- A Europa deve estar interessada em ajudar a resolver a disputa o mais rápido possível..O que precisamos da UE é sua ajuda para persuadir a Ucrânia a seguir as regras de comportamento na mesa de negociação - disse Medvedev à Reuters.
A Ucrânia, que também sofre os efeitos da crise financeira global, negou que esteja roubando gás destinado à Europa e alega que a Gazprom cortou os fluxos via seu território.
- A posição da Gazprom viola práticas internacionais de negociação...e resulta em chantagem energética - disse a estatal ucraniana Naftogaz em declaração oficial.
O presidente da Naftogaz Oleh Dubyna disse que seus funcionários estavam prontos para ir a Moscou a qualquer momento para retomar as conversas que fracassaram no ano-novo.
Mas disse que eles só iriam se houvesse um acordo mutuamente aceitável na mesa.
As diferenças entre os dois lados são grandes. A Rússia está pedindo que a Ucrânia pague 418 dólares por 1.000 metros cúbicos de gás este ano. Dubyna disse que esse preço poderia levar a Ucrânia a uma crise humanitária.
Medvedev, por sua vez, disse à Reuters que a proposta de Kiev para que a Rússia forneça gás em troca do direito de exportar seu gás para a Europa via Ucrânia estava 'fora da lógica comercial'.
Consumidores da União Européia pagam cerca de 500 dólares por 1.000 metros cúbicos de gás russo, embora este preço esteja para cair acompanhando a queda no preço do petróleo.
Em Sofia, o presidente da Bulgargaz, Dimitar Gogov, disse que os nível dos suprimentos não baixou até um ponto crítico, mas novas reduções poderão forçar a empresa a introduzir limitações ao consumo.
- A pressão do gasoduto caiu e recebemos quantidades menores até este sábado de manhã - disse Gogov à Reuters.
[15:57] - 03/01/2009 -
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