Flávia Belaciano, Jornal do Brasil
RIO - O pé direito de Luiz André Calainho já está cravado no Píer Mauá, onde, na próxima sexta-feira, inaugura a sétima temporada do projeto Oi Noites Cariocas.
O ex-executivo da Sony (referência que sumiu de seu currículo nos últimos anos) comanda sete empresas nos ramos de entretenimento e mídia.
É sócio do portal Vírgula, da empresa de ringtones Ligaki, das rádios Paradiso FM e Mix Rio FM e da companhia de venda de ingressos Ticketronics e fechou 2008 com um projeto inusitado: ser jurado do programa Ídolos, da Record.
Nada disso suplanta o prazer de assinar mais uma edição do projeto que migrou do Morro da Urca para a zona portuária.
Afinal, o Oi Noites Cariocas perdeu público quando teve que deixar o Morro da Urca?
O Morro completava 25 anos e nos vimos obrigados a encontrar um novo espaço, já que havia uma programação de comemorações na mesma data. Fomos para o Píer e tivemos um aumento de 30% do público.
Este aumento está relacionado ao espaço maior...
Espaço e comodidade. A estrutura do Píer é mais confortável. Você estaciona e entra, não precisa esperar o bondinho.
Hoje é possível dizer que o evento funciona mesmo longe do Morro da Urca?
Sim, claro. Identificamos que o Oi Noites Cariocas tem vida própria, independentemente do lugar onde for programado. O projeto tem alma e não está ligado a um ou outro espaço. É um evento carioca.
Na sua avaliação, qual a razão desse sucesso?
É um projeto essencialmente descontraído. Quem mora no Rio odeia coisa confinada e tem mania de vista, de ver o céu e o horizonte. Ele acontece no verão. Planejamos com a Oi, nossa patrocinadora, uma ida para São Paulo no meio do ano.
Daria certo em São Paulo sendo um evento tão carioca?
Sim, tem muito paulista que vai ao Noites. Os mineiros também vão. Temos a idéia de fazer o Oi Noites Tour para levar esse outdoor do Rio para outras cidades.
Por que o evento vai começar mais tarde desta vez?
Foi uma decisão em conjunto com a Oi. Queremos concentrar o evento no alto verão.
Quais as novidades desta temporada?
Vamos abrir diferente, com o musical Beatles num céu de diamantes. Foi a maneira que encontramos para homenagear a banda da qual qualquer artista pop se alimenta. Estamos trazendo o (grupo cubano) Orishas. O palco Oi Novo Som, para novos artistas, vai funcionar todos os dias. Em fevereiro, vamos levar alguns blocos de rua tradicionais para se apresentar antes do show.
A crise atrapalhou a montar a grade de programação?
Não afetou. Os patrocinadores já estavam fechados. E o público aguarda o evento. Fechamos o Orishas há quase quatro meses.
Qual foi o investimento desta edição?
Cerca de R$ 8 milhões.
Como foi a experiência de trabalhar no 'Ídolos'?
Quando recebi o convite, fui conversar com a emissora para ver até que ponto seria um programa sério. Perguntei se era para atuar ou para ser eu mesmo. Sou empresário e não ator. Se poderia dizer o que acho, sem direção. Aí, topei. O mercado fonográfico passa por um momento de dificuldade. O programa dá oportunidade de garimpar gente boa. Dos 10 finalistas da edição passada, cinco ou seis estão encaminhados. Eu me considero uma pessoa normal, mas volta e meia, no calor do programa, as pessoas vinham me perguntar o que eu achava, quem ia ganhar, como funcionava o programa.
Pretende repetir a experiência?
Já está fechado. Renovei o contrato para 2009.
Durante o programa, saíram notícias na imprensa de que você teria se desentendido com o apresentador Rodrigo Faro. É verdade?
As pessoas nem sempre concordam com tudo. Mas não teve nenhum estresse. A gente se adora. Conheço o Rodrigo desde a época em que ele era artista da Sony.
Quais os projetos para 2009?
A Aventura, companhia de produção de musicais, estréia três espetáculos em São Paulo: 7, Noviça e Beatles. No Rio, teremos Despertar da primavera e Gipsy, em setembro. São cinco musicais em 2009.
Você entrou na produção de musicais há um ano. Como avalia este emergente mercado?
Estou impressionado. O brasileiro é ligado à música e à dramaturgia. Isso dá resultados fantásticos, só vejo crescimento. Pretendemos levar a Noviça para dois ou três países da América Latina e o Beatles para Portugal e Espanha.
Mas a crise não atrapalha?
Não afeta em nada. Estamos muito bem. Em novembro tivemos recorde no faturamento das rádios. Na pior das hipóteses, o nível de investimento vai se manter. A internet, então, passa ao largo dessa crise. Claro que sempre chega de alguma maneira, um patrocinador pode deixar de participar, mas 90 % do negócio não foram afetados.
Como você consegue administrar todos os negócios?
Cada um tem um corpo executivo, além dos sócios que operam no negócio. Basicamente fico supervisionando e construindo links entre eles. Trabalho de segunda a sexta, em média 12 a 14 horas por dia. Acordo cedo e vou dormir tarde.
Ainda tem vontade de trabalhar em outras áreas?
Não tenho dúvida que ainda vou mexer com cinema e moda. O formato não está definido ainda.
[19:22] - 03/01/2009 -
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