Cecilia Minner, Jornal do Brasil
RIO - Limpar os ouvidos com cotonete depois da praia para remover água e areia pode parecer um ato higiênico e saudável. Mas o que poucos sabem é que junto com a sujeira vai-se a cera, que é principal camada protetora do ouvido contra a otite externa aguda, um tipo de infecção que acomete o canal externo do ouvido.
Este, no entanto, não é o único motivo que fazem os casos de otite aumentarem em 70% no verão. O calor combinado com a umidade constante no ouvido, devido aos prolongados banhos de piscina e mar, lesam a pele do ouvido, abrindo caminho para a entrada de bactérias.
– No verão as pessoas usam mais cotonete pois molham o ouvido na praia e piscina, e isso aumenta o risco de ter otite externa, pois o cotonete pode machucar a pele do ouvido. E estando em contato com águas poluídas, as pessoas ficam mais expostas a inflamações de ouvido – explica a otorrinolaringologista Cecília Pache de Faria.
O designer de interiores, Mauro Kaggi, de 44 anos, vivenciou há pouco tempo um otite externa ao praticar um ato comum no dia-a-dia das pessoas.
– Senti uma coceira no ouvido, aí resolvi cutucar com um cotone. Foi a pior coisa que fiz. Machuquei meu ouvido e tive uma otite que durou sete dias. Senti uma dor insuportável – conta Kaggi.
Qualquer pessoa pode desenvolver uma otite externa, pois nos ouvidos existem normalmente diversas bactérias. Porém no verão, devido ao aumento do calor e umidade, a proliferação desses microorganismos é ainda maior. O mais indicado pelos médicos é tomar medidas preventivas para que os mecanismos de defesa do próprio ouvido – a pele e a camada de cera – sejam preservados.
– O cotonete não deve ser usado nunca. O ideal é, após o banho, limpar os ouvidos com o dedo indicador envolvido em uma toalha – ensina Nicolau Tavares, otorrinolaringologista do Hospital Israelita Albert Sabin. – É a melhor maneira de se evitar a inflamação.
Propensão
Mas há pessoas que têm uma maior propensão à doença. Como nadadores, por exemplo, que estão em contato constante com a água, ou pessoas que possuem dermatite atópica, dermatite seborréica ou doenças dermatológicas que podem atingir os ouvidos.
A publicitária Roberta Duarte na época em que praticava nado sincronizado e passava 6 horas por dia na água, tinha otite externa recorrente e não melhorava.
– Era horrível, volta e meia tinha dores de ouvido. Precisava usar sempre um tampão.
Pessoas como Roberta devem tomar medidas preventivas mais completas. Como o uso de tampões de ouvido moldados, que vedam totalmente o meato acústico externo.
– Tampões vendidos em loja de esporte não vedam totalmente, o ideal á mandar fazer um sob medida – sugere Cecília.
Além disso, os mais propensos à otite externa devem fazer uma limpeza com soluções ácidas, como álcool boricado ou álcool com ácido cético, após a exposição à água.
Sintomas
Os sintomas deste tipo de inflamação aguda são dor de ouvido, coceira, secreção e inchaço do canal externo. Além da diminuição da audição – sensação de ouvido tampado. Médicos chamam a atenção para, mesmo no desespero da dor, não pingar nada antes de um diagnóstico médico. Pois, além de dificultar a detecção do problema real, os sinais podem enganar.
– Mesmo com esses sintomas, o paciente pode estar com uma otite média ou outra doença. Pode até ser uma micose no ouvido, e por isso não se deve pingar qualquer coisa – explica Tavares. – Essas soluções caseiras que dizem melhorar a dor, como leite ou azeite são mentiras. A melhor conduta é procurar um médico, ir a uma emergência.
[19:19] - 03/01/2009 -
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