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Sucesso no exterior dá esperança de um novo ciclo olímpico no Basquete

Thales Soares, Jornal do Brasil

RIO - Nenê tem 26 anos de idade. Tiago Splitter completou 23 no dia 1. Eles são jovens, bem-sucedidos, mas carregam o peso de uma frustração que persegue o basquete brasileiro desde que Oscar deixou a seleção brasileira depois dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. O fato de enfrentarem dois ciclos olímpicos sem sucesso pesa, mas agora ambos estão no melhor momento de suas carreiras, titulares e peças importantes de seus times para acabar com o jejum que fez o esporte perder espaço no Brasil.

A maior crítica com relação aos jogadores brasileiros que atuam fora do país era justamente o fato de serem apenas meros coadjuvantes em seus clubes. Com a mudança de prestígio de Tiago e Nenê, a seleção brasileira pode ganhar justamente o poder de decisão que faltou em vários momentos. Um ano depois de descobrir um câncer nos testículos, Nenê brilha intensamente. Na última quarta-feira, o brasileiro foi o cestinha da vitória do Denver Nuggets sobre o Toronto Raptors, por 114 a 107. Já Tiago comanda o Tau Ceramica, da Espanha, que lidera o Grupo C da Euroliga, competição européia de clubes.

– O Nenê é um um cara que se esforçou muito na carreira, com muita vontade de fazer as coisas bem. Só depende dele ter essa mesma vontade na seleção – disse Tiago. – A realidade é que se ele não for e outros não jogarem, o Brasil nunca vai demonstrar o poder que tem. E não conseguiu ainda porque nos momentos importantes não trabalhamos juntos. Para chegar numa Olimpíada, tem que jogar muito bem, com o time inteiro.

Tiago demonstra preocupação com o momento do basquete brasileiro, assim como Nenê. Mas por enquanto a NBA está em primeiro plano para o pivô do Denver Nuggets.

– Eu me sinto uma pessoa mais forte fisicamente e psicologicamente e mais importante espiritualmente. Deus me fez passar por provações. Agora, é minha vez – afirmou Nenê, que prefere esquecer o fracasso no Pré-Olímpico das Américas de 2007 e a ausência dos jogadores da NBA do Pré-Olímpico Mundial de 2008. – Meu foco agora é a NBA, ainda não estou focado no próximo ciclo olímpico. O que passou faz parte do passado. Temos que pensar no presente e no futuro do basquete brasileiro.

Essa preocupação foi um dos pilares da criação este ano do Novo Basquete Brasil, nome da competição que será disputada pelos principais times do país, filiados à Liga Nacional de Basquete. De longe, Tiago acompanhou o processo e espera que tenha o mesmo sucesso da ACB, a liga espanhola de basquete.

– Acho que isso é o básico. Existia um problema muito sério que era essa divisão de poder. Com essa nova estrutura, um esquema de marketing bem feito, é possível ter uma liga forte, com times fortes, uma competição onde os jogadores cresçam – explicou Tiago, que está na Espanha desde os 15 anos. – A ACB é a liga mais importante da Europa depois da Euroliga. Os melhores jogadores estão na Espanha. Todo o dia temos um jogo difícil, que faz o jogador melhorar. Televisão, patrocínio e dinheiro vêm com o sucesso da liga. Vi toda essa evolução.

A eleição na CBB acontece no começo do ano que vem. Ambos preferem ficar fora desse processo, justamente por problemas anteriores, como o que Nenê viveu com a atual diretoria, quando ficou afastado por quase quatro anos da seleção. A esperança é de que o novo ou atual presidente da entidade faça com que o futuro seja o que todos sonham, com a vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

[18:45] - 03/01/2009 -  RSS