Ana Paula Verly, JB Online
RIO - A paisagista Betina Beer levou um susto quando a filha mais velha tinha 3 anos. Ao chegar para buscá-la numa colônia de férias, ouviu um burburinho atípico. A menina havia tirado as bóias dentro da piscina e ninguém percebeu. Foi um grande susto e, quase 20 anos depois, o trauma está superado com os caçulas da família na Bichinho do Mato, no meio da mata de Vargem Grande e com outro conceito de recreação. Em vez de cabra-cega e cabo-de-guerra, as colônias de férias agora oferecem atividades lúdicas, artísticas, intelectuais e até rurais – sempre sob o olhar atento dos monitores.
– A programação fica muito restrita apenas com a parte física. A criança tem muito para desenvolver. A proposta é estimular a criatividade. Tudo é planejado por profissionais especializados. A gente não trabalha com recreadores – resume a idéia a psicóloga e coordenadora da Bichinho, Juliana Souza Dantas.
Na Bichinho, como em outras colônias bucólicas – entre elas a da Escola Pedra da Gávea, na Barra – as crianças pintam e bordam não só com tintas e miçangas, mas entre os animais e as plantas. Com a orientação de estudantes de diversas áreas, têm a oportunidade de alimentar os bichos, tocar nos ovos das aves, plantar mudas, regar as plantas.
– Eles trazem informações. Já aprendi um monte de coisas. Não tinha idéia do que acontece com a tartaruga, a borboleta e o coelho. O biólogo vai lá para ensinar – diz, satisfeita e tranquila, Betina.
Uma das filhas dela, Piera Pilar, de 10 anos, gosta mais das oficinas de pintura, porque adora desenhar.
– A minha mãe deixa, mas lá eu tenho mais espaço e não tem problema de sujar. Pintei uma borboleta em um vaso que está aqui em casa – conta, animada.
Literatura e yoga
Além de ocupar o tempo dos filhos em janeiro, as colônia também ajudam as mães quando eles estão em casa. As oficinas são lúdicas e, ao mesmo tempo, educativas. Na aula de perfumaria da Gato Mia, no Jardim Botânico, por exemplo, as crianças escolhem cor, essência e embalagem para perfumes, sabonetes e sais de banho. Com o kit que elas mesmas fizeram, dentro de uma cestinha de origami, nunca se negam a ir para o chuveiro.
– Na aula de moda, a gente confecciona fantasias para o teatrinho de encerramento. A intenção é elas se concentrarem, fazerem amigos e coisas diferentes todos os dias – explica a organizadora do Gato Mia Ana Carolina Accioly.
Geralmente, o passatempo une crianças de 5 a 10 anos na mesma turma, para promover a interação entre diferentes faixas de idade. O Centro de Movimento Deborah Colker vira escolinha de teatro, música e dança nesta época. O Planetário da Gávea promove aulas de astronomia e um teatrinho para o aluno encenar o papel de um astro celeste. Na Estação das Letras, escrevem e ouvem histórias.
– É a descoberta da leitura como lazer. Em vez de nadarem na piscina, nadam nas praias do imaginário. É um mergulho nelas mesmas – filosofa a coordenadora da Estação das Letras, Suzana Vargas.
[17:47] - 03/01/2009 -
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