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Nome de Geddel para governo baiano mostra racha entre PMDB e PT

José Pacheco Maia Filho , Jornal do Brasil

SALVADOR - A aliança entre o PT e o PMDB que derrotou o carlismo – depois de 16 anos de poder na Bahia – parece irremediavelmente comprometida. O cenário atual da política baiana aponta que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), vai disputar o governo do estado contra o governador Jaques Wagner (PT). Na posse do prefeito peemedebista João Henrique, na quinta, isso ficou claro. O alcaide lançou a candidatura de Geddel.

Em 2006, Geddel e Wagner juntos derrotaram o então governador Paulo Souto (DEM) e colocaram fim ao já combalido reinado do falecido senador Antonio Carlos Magalhães na Bahia. Mas a eleição municipal de 2008 para prefeito de Salvador, vencida pelo atual prefeito João Henrique (PMDB), apoiado por Geddel, contra o deputado federal Walter Pinheiro (PT), apoiado por Wagner, parece ter sido a pá de cal na aliança PT-PMDB.

A aproximação do PMDB ao Democratas foi a senha para o governador Jaques Wagner anunciar, em nota, na semana passada, o rompimento com o prefeito João Henrique. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), esteve em Salvador para participar de um seminário promovido pelo Democratas. João Henrique foi ao evento e disse que os dois partidos deveriam marchar juntos em 2010. Uma alusão clara à candidatura de Geddel ao governo do estado em 2010.

Em seguida, Wagner disse que João Henrique não era mais seu aliado, mas que o prefeito de Salvador seria tratado “de forma republicana”. Ou seja, não seria retaliado, mas também não teria privilégios. Coube ao presidente Lula, que estava em Salvador para participar da cúpula dos presidentes da América Latina e Caribe, a tarefa de constranger o prefeito João Henrique.

Na segunda-feira passada, na inauguração de uma obra viária nas imediações do aeroporto, Lula em tom de brincadeira cobrou do prefeito a inauguração da primeira fase do metrô de Salvador – obra que se arrasta há quase uma década, mas que foi iniciada na gestão do antecesssor de João, Antonio Imbassahy, hoje no PSDB, eleito sob o comando de ACM.

O constrangimento de Lula ao prefeito João Henrique teria sido combinado com o governador Jaques Wagner. O presidente chegou a dizer ao prefeito que se a obra estava atrasada por causa do Tribunal de Contas da União (TCU), Geddel poderia ajudar porque ele teria amigos no TCU.

Wagner rompeu com o prefeito porque não pode ainda romper com Geddel. Vontade é o que não falta. Em entrevista à Revista Veja perguntado se estaria acusando o PT de traição, Geddel foi textual: “O que ele fez me deixa com um pé atrás em relação a 2010”. O ministro referia-se à eleição para prefeito.

Geddel julgava que, como o PMDB apoiara Wagner em 2006, o PT deveria apoiar a reeleição de JH em 2008. O PT fez diferente. Deixou o governo de JH meses antes da eleição e lançou candidato próprio. Wagner disse então que tinha três candidatos na disputa. Walter Pinheiro (PT), João henrique (PMDB), e Antonio Imbassahy (PSDB). Elegeu como adversário primordial o deputado ACM Neto (DEM). Wagner apostava que levaria Pinheiro ao segundo turno contra Neto e aí teria o apóio de Geddel.

Mesmo com uma rejeição cavalar, João Henrique chegou ao segundo turno contra Pinheiro, que superou Neto por pequena margem de votos – cerca de 30 mil. Pois bem, com a ajuda decisiva de ACM Neto, Geddel derrotou o candidato de Wagner e impôs uma baque ao governador com o apoio dos aliados que ajudou a derrotar em 2006. Gedeel ficou forte e Wagner saiu fraco do embate. E Geddel ainda teve “motivos” para seguir seu próprio caminho já que, como ele gosta de dizer todos os dias, apoiou mas não foi apoiado.

[23:00] - 02/01/2009 -  RSS