Jornal do Brasil
RIO - A balança comercial brasileira fechou 2008 com o pior resultado desde 2002, devido ao forte aumento das importações no ano.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o superávit da balança (diferença entre exportações e importações) caiu 38,2% em relação a 2007 e terminou o ano passado em US$ 24,735 bilhões.
Esse é o pior resultado desde o superávit de US$ 13,1 bilhões registrado em 2002.
No ano passado, as exportações brasileiras cresceram 23,2% e atingiram o valor recorde de US$ 197,942 bilhões. As importações cresceram 43,6% e chegaram a US$ 173,207 bilhões, patamar que também é recorde.
A corrente de comércio, soma das exportações com as importações, que mede o aumento dos negócios do Brasil com o exterior, também bate recorde. O crescimento foi de 32%, para US$ 371,149 bilhões.
Pela média diária, a queda no superávit foi de 38,9%, já que 2008 teve três dias úteis a mais que o ano anterior. Nessa comparação, as exportações cresceram 21,8% e as importações, 41,9%.
Abaixo da meta
O resultado das exportações ficou 2% abaixo da meta de US$ 202 bilhões fixada pelo Ministério para este ano.
Em novembro, o governo já havia admitido que esse patamar não seria alcançado, devido à crise econômica internacional e aos problemas no porto de Itajaí, parcialmente destruído pelas chuvas em Santa Catarina. Esses fatores prejudicaram o desempenho da balança comercial no último trimestre.
O Ministério do Desenvolvimento não divulgou a meta de exportações para 2009. Mas o Banco Central revê exportações de US$ 193 bilhões e importações de US$ 179 bilhões, com um superávit de US$ 14 bilhões.
Já os economistas consultados pelo BC na pesquisa semanal Focus esperam uma queda do superávit da balança para US$ 15 bilhões.
No último mês de 2008, as exportações brasileiras somaram US$ 13,818 bilhões, uma queda de 6,3% em relação a novembro e de 2,9% na comparação com dezembro de 2007. As importações caíram 12,4% em relação a novembro, mas subiram 8,7% na comparação anual.
No mês passado, o superávit da balança ficou em US$ 2,301 bilhões, o mais fraco resultado para o último mês do ano desde 2002. O valor representa um aumento de 42,7% em relação a novembro e uma queda de 36,8% em relação ao mesmo período de 2007.
O secretário de Comércio Exterior do ministério, Welber Barral, evitou fixar uma meta de exportações para 2009 devido às oscilações nos preços das commodities, mas afirmou que o objetivo do país é manter a quantidade embarcada em 2008 e 2007, de aproximadamente 460 milhões de toneladas.
– O ano de 2009 vai ser difícil. O exportador vai ter que ter imaginação para diversificar mercados e diferenciar produtos, e o governo vai ter que aumentar a competitividade dos exportadores – disse Barral a jornalistas, sublinhando que espera uma recuperação no segundo semestre.
Para o secretário, o governo terá de reduzir a carga tributária dos setores exportadores e os custos de logística, além de manter a oferta de crédito.
Segundo Barral, o Brasil sofreu menos do que outros países porque conseguiu diversificar suas exportações e os preços das commodities, apesar de terem caído, ainda permaneceram acima das cotações de 2007. Além disso, a alta do dólar beneficiou os exportadores
[22:08] - 02/01/2009 -
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