João Paulo Aquino, Jornal do Brasil
RIO - O corpo do empresário alemão Christian Martin Wölffer, que morreu em uma praia de Paraty, no Litoral Sul Fluminense, apresenta dois cortes transversais nas costas, o que evidencia acidente causado por hélices de embarcação. Testemunhas viram o atropelamento.
A informação das marcas foi divulgada pelo Laboratório Técnico de Embalsamamento e Formolização do Rio de Janeiro, responsável por embalsamar o corpo do turista.
Segundo o laboratório, o atestado de óbito indica anemia aguda causada por hemorragia interna. O laudo da necropsia, feita pelo Instituto Médico Legal (IML) de Angra dos Reis, não foi divulgado ainda.
Wölffer morreu na tarde de quarta-feira, véspera do Réveillon, quando nadava em uma praia do Saco de Mamanguá, comunidade caiçara onde empresários, principalmente paulistas, têm mansões de veraneio.
O alemão estava na água quando começou a pedir por socorro. No momento, os atores Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima, que estavam próximos, perceberam a aflição do turista e se jogaram ao mar para resgatá-lo. O estrangeiro chegou já sem vida à Santa Casa de Misericórdia de Paraty, por volta das 15h30. O corpo foi encaminhado para o Rio de Janeiro. O processo de conserva deve durar mais 72 horas, quando será transladado para os Estado Unidos ou para Alemanha.
– Estamos muito tristes e chocados, foi uma brutalidade. Fizemos o que podíamos, mas, para nossa perplexidade e impotência, nada mais poderia ser feito – responderam, por meio da assessoria de imprensa, os atores Rodrigo Hilbert, que interpreta o papel do surfista Gregg, na novela Três irmãs, da TV Globo, e Fernanda Lima.
Um inquérito já foi aberto pela Capitania dos Portos para investigar a morte do empresário. O prazo para conclusão é de 90 dias. Mesmo sem o laudo oficial do IML, as suspeitas indicam que o alemão foi atingido por uma embarcação.
– Como há suspeita de que houve um acidente decorrente de um choque com embarcação, eu determinei a abertura para apurar os fatos. O inquérito será conduzido por um agente da Capitania em Paraty – disse o capitão Wilson Pereira de Lima.
Para o delegado da 167ª Delegacia de Polícia Civil, Alessandro Petralanda, uma pequena embarcação, espécie de bote atropelou o empresário. No momento, não foi prestado nenhum tipo de socorro pelo piloto, que está sendo procurado pela polícia.
O caso é apurado pela Polícia Civil. Por enquanto, a Polícia Federal (PF) de Angra analisa o caso para saber se vai instaurar inquérito. O delegado Marcelo Prudente disse que ainda não está decidido se a PF participará das investigações.
A Capitania ressaltou que frequentemente tem realizado inspeções navais nas proximidades das praias e que coíbe rigorosamente o uso de embarcações motorizadas na faixa de 200 metros da areia, que é exclusiva para banhistas. O órgão informou ainda que, no dia do acidente, a Marinha realizava operação de fiscalização e vigia, tendo, inclusive, fotografado e notificado alguns infratores.
O consulado alemão não se manifestou e está prestando assessoria para resolver os trâmites burocráticos juntamente com o Ministério de Relações Exteriores. Porém, prontificou-se a dar apoio à família da vítima.
O empresário tinha 69 anos, morava nos Estados Unidos, em Hamptons, balneário de luxo próximo a Nova Iorque. Era proprietário da vinícola Wölffer State, uma das mais conhecidas no mundo e frequentada por celebridades como Bill Murray e Harry Smith. Ele conta em um vídeo em seu site que herdou do pai a paixão pelo vinho e que não tinha experiência nesse ramo quando começou o negócio, em 1987.
O alemão estava hospedado em Paraty, na casa de colegas empresários brasileiros, para passar o Réveillon. A assessoria de Wölffer disse que "estão todos transtornados" e que a filha do magnata veio ontem ao Rio de Janeiro para acompanhar a liberação do corpo.
[21:56] - 02/01/2009 -
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