SÃO PAULO, 2 de janeiro de 2009 - O agravamento da crise financeira global não só derrubou a bolsa de valores brasileira para níveis de setembro de 2006, como também paralisou o mercado de oferta de ações. Em 2008, apenas 15 companhias emitiram ações, sendo 11 follow-nos e apenas quatro IPOs empresas foram pela primeira vez à bolsa. Apenas para efeitos de comparação, em 2007 foram 64 IPOs e 12 follow-nos. De acordo com agentes de mercado, esse "boom" não voltará tão cedo.
O volume captado também despencou na mesma proporção. Enquanto que em 2007 as 64 companhias que foram à bolsa captaram R$ 75,43 bilhões, em 2008 esse volume foi de apenas R$ 34,88 bilhões - R$ 33,02 de emissões primárias e R$ 1,85 bilhão de emissões secundárias. Os destaques ficaram por conta do follow-ons da Vale do Rio Doce (com R$ 19,43 bilhões), Gerdau (R$ 2,9 bilhões), Metalúrgica Gerdau (R$ 1,5 bilhão) e do IPO da OGX (R$ 6,71 bilhões).
"O movimento que vimos em 2007 não se repetirá tão cedo, ou seja, os exageros vão acabar. Por outro lado, acredito que entre junho e julho, quando o horizonte da crise já estiver mais estabilizado, as companhias bem estruturadas devem voltar ao mercado de ações. E, com certeza, vão encontrar mercado", afirma Celso Grisi, Instituto de Pesquisas Fractal e professor da USP.
Mas uma mudança substancial deve ocorrer no mercado de ações: o perfil do investidor. "Os investidores de longo prazo devem prevalecer em um primeiro momento: fundos de pensão, que precisam diversificar seu potfólio com cautela, e a pessoa física", diz Grisi.
A perspectiva do retorno dos IPOs também é compartilhada por Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, porém não da forma como eram antes. "As empresas estavam super-infladas, uma vez que os bancos emprestavam recursos para as companhias e estas abriam seu capital muito mais valorizadas", explica.
Para ele, os investidores que quiserem adquirir ações de ofertas públicas iniciais, caso ocorram no próximo ano, devem olhar para companhias com capacidade de crescer em meio a um ambiente de crise. "O capital especulativo, e também o estrangeiro, deve ficar ausente por um bom tempo", completa o diretor da Global Financial Advisor.
As destinações de recursos para as ofertas primárias de ações também mudou com a crise. No ano passado, a maioria dos recursos (33,7%) captados nas ofertas primárias foi para atividades operacionais / infra-estrutura, seguido do capital de giro (22%). Neste ano, 56,3% das captações primarias foram para aquisição de participação acionária, seguido de capital de giro (27,8%).
(Vanessa Correia - InvestNews)
[13:01] - 02/01/2009