Portal Terra
TERRA - Até recentemente, os viajantes que participavam de conferências ou feiras de negócios tinham necessidades de internet simples. Queriam verificar mensagens de e-mail e talvez localizar informações na web ou se conectar com as redes de suas empresas. Agora, as reuniões podem incluir vídeos em streaming e interação online. E de volta aos seus quartos de hotel os viajantes baixam filmes e se conectam a redes de troca de arquivos.
Os organizadores de eventos, hotéis e centros de conferência estão batalhando para acompanhar a demanda e impedir o travamento da rede.
- Nós sabemos há muito que a banda larga disponível seria um problema nos hotéis, disse Don O'Neal, consultor de tecnologia para hotéis.
Erika Powell, planejadora de reuniões da Global Knowledge, uma empresa que oferece treinamento em software para clientes empresariais, disse que recentemente se viu forçada a transferir um evento de hotel porque a conexão à internet do estabelecimento original não seria capaz de atender à demanda de seu grupo.
- Na segunda-feira, começamos a receber informações de que a internet estava muito lenta e que eles não conseguiam acesso aos laboratórios, ela disse.
- Nós falamos com o pessoal local para descobrir qual era o problema, mas ninguém sabia como resolver.
Powell informou que foi preciso tomar a decisão radical de transferir o evento a outro hotel, na metade da semana, para que o treinamento pudesse ser concluído.
Até alguns anos atrás, uma forma de conexão conhecida como T1 era a norma para a maioria dos hotéis. Com velocidades de 1,5 megabits por segundo, ela bastava para acesso a e-mail e visitar sites. (Em comparação, um modem a cabo residencial médio oferece entre três e cinco megabits por segundo.)
O advento de tecnologia barata de transmissão de vídeo, fácil de usar - e grande consumidora de banda -, alterou a situação de maneira dramática. A demanda nos hotéis e centros de convenções disparou, à medida que empresas começam a usar mais recursos de videoconferência e os hóspedes a baixar mais mídia. Para aumentar o congestionamento, os administradores dos hotéis também estão usando ferramentas disponíveis via web para administrar os departamentos da casa, e isso resulta em ainda mais demanda por banda larga.
A maioria dos hotéis dirigidos aos viajantes de negócios agora oferece mais linhas T1 ou uma linha T3 (também conhecida como DS3), que acomoda tráfego equivalente ao de 28 T1s. Outros hotéis estão instalando redes de fibra óptica, que também oferecem considerável banda. Muitos desses novos sistemas são o que os especialistas em tecnologia designam como "temporariamente expansíveis", o que significa que eles normalmente transmitem entre seis e oito megabits por segundo mas podem sustentar tráfego muitas vezes maior em caso de necessidade.
No novo Renaissance Boston Waterfront Hotel, os administradores de tecnologia combinaram as diversas redes de dados do estabelecimento em uma super-rede conjunta. A consolidação significa que os grupos com alta demanda de banda podem utilizar a capacidade ociosa de outros quartos ou das redes administrativas sem que precisem mudar de rede ou passem por interrupções de serviço, diz Page Petry, vice-presidente sênior de recursos de informação da Marriott International, controladora dos hotéis Renaissance.
Para Maura Sutherland, esse acesso a banda larga generoso é um argumento de venda importante. Ela é diretora de marketing corporativo da Akamai Technologies e recentemente levou 300 clientes de todo o mundo ao Renaissance. Sutherland informou que o hotel tinha a capacidade de reservar banda exclusiva para o seu grupo, incluindo streaming de vídeos em alta definição.
- Usávamos pelo menos 60 megas o tempo todo, porque tínhamos mais de 20 parceiros demonstrando tecnologia, disse Sutherland.
- O propósito desse tipo de reunião na verdade é demonstrar o que nossos clientes estão fazendo online.
Para manter clientes como Sutherland satisfeitos, os hotéis precisam levar em conta mais do que a banda disponível. Também precisam determinar se podem ou não racioná-la. Crescente número de hotéis investiu em software que permite designar banda específica para as diferentes seções do estabelecimento.
A demanda nos centros de convenções também disparou.
- Nossos clientes querem ter em viagem a mesma experiência que conseguem em casa, disse John Adams, gerente geral do Colorado Convention Center, em Denver, e vice-presidente sênior de SMG, uma empresa que organiza convenções, para a região oeste do país.
- A tecnologia muda com muita rapidez, e as reuniões se tornaram mais interativas.
A Consumer Electronics Show (CES), feira anual de eletrônicos realizada em Las Vegas, será realizada de 8 a 11 de janeiro em 2009 e serve como exemplo. Em 2008, os expositores utilizaram 353 conexões de internet, ante 51 em 1999. Com público estimado em mais de 130 mil pessoas, milhares de visitantes estarão se conectando à rede para verificar e-mails a qualquer dado momento, por exemplo, e a demanda por recursos de vídeo é igualmente forte. Além disso, muitos organizadores de convenções agora utilizam sistemas de registro via web para organizar a recepção de visitantes, e isso consome ainda mais banda.
- As demandas quanto às atividades para as quais os expositores precisam usar a internet cresceram, disse Karen Chupka, vice-presidente sênior de eventos e conferências na Consumer Electronics Association, a organização setorial encarregada da produção da feira.
- Cinco ou seis anos atrás, o objetivo seria permitir que eles tivessem acesso aos seus sites; hoje, todo mundo procura streaming de vídeo.
[11:51] - 31/12/2008 -
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