Fernanda Pereira Carneiro, JB Online
SÃO PAULO - As classes C, D e E vão ganhar destaque na programação da televisão pública. O Ministério da Cultura – em parceria com a Sociedade Amigos da Cinemateca e a Empresa Brasil de Comunicação – acaba de lançar, como parte do Programa Mais Cultura, um edital de seleção de projetos para “desenvolvimento e produção de teledramaturgia seriada”. O investimento permitirá a produção de minisséries criadas por produtoras independentes “com o intuito de retratar a juventude de classes sociais muitas vezes excluídas da programação das emissoras privadas”.
A secretária de Articulação Institucional do ministério, Silvana Meireles, coordenadora executiva do programa Mais Cultura, conta que o edital materializa uma das mais importantes ações do programa e que seu lançamento é fruto de um seminário de três dias em que foram reunidos roteiristas, consultores e especialistas para discutir o universo dos jovens e os novos formatos de programação.
– A proposta é dialogar com esses jovens. Qualquer produtora pode apresentar um projeto, seja ela pequena ou grande – explica Silvana. – O foco do edital é a originalidade, potencial do debate público e formação de audiência.
Presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes, Fernando Dias frisa o fato de as maiores TVs do mundo serem públicas e que agora é a vez de o Brasil mudar os paradigmas existentes e adotar a mesma proposta.
– O edital seleciona por qualidade, o que só é possível dentro da TV pública, pois ela não é regrada por audiência ou pautada com fins comerciais – comenta Dias. – O uso de produtos independentes traz essa pluralidade, já que emissoras como a Globo e Record têm limites de contratação.
Os projetos inscritos serão selecionados por uma comissão formada por especialistas em teledramaturgia e produção audiovisual indicados pelo próprio ministério. Cada premiado receberá R$ 2,6 milhões para produzir uma minissérie com 13 episódios.
– O horário de exibição das minisséries ainda não foi decidido, mas é um produto para o horário nobre – diz secretário do Audiovisual, Sílvio Da-Rin. – Temos planos de exportar esses produtos, mas essa não é a principal meta.
As inscrições começaram ontem e podem ser feitas até 15 de março. As informações sobre o edital, as pesquisas de apoio, o regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site fictv.cultura.gov.br
[22:06] - 10/12/2008 -
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