CULTURA

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'Ó pai, ó': Bando de Teatro Olodum conserva a vibração da estréia

Macksen Luiz, JB Online

RIO - O texto, a partir de improvisações do elenco, é uma seqüência de depoimentos de moradores de cortiço no Pelourinho, um pouco antes do processo de requalificação do centro histórico de Salvador. Uma das primeiras montagens do Bando de Teatro Olodum, Ó pai, ó, em temporada até domingo no Teatro Villa-Lobos, foi encenada em 1992 e desde então faz parte do repertório do grupo, tendo sido adaptada para o cinema e a TV. A vitalidade e multiplicidade se justificam na visão atual do espetáculo, que conserva a mesma alegria e vibração que parece ter sido o impulso inicial para sua

encenação.

A caracterização de tipos, certamente retirados da vivência dos atores, permite que uma série deles desfile nessa comédia de costumes, na qual não existe uma trama, mas situações que desenham a realidade de uma casa de cômodos. Esse painel, que tem na música um elemento preponderante e na exuberância da iluminação e colorido dos figurinos outros pontos referenciais, pode até ser confundido com um quadro folclorizado com alguns toques sociais.

E não se está muito distante desse enquadramento, mas Ó pai, ó acaba por ser atraente exposição de festa, com sua prosódia e espírito irreverente, e o arranque do Bando de Teatro para carreira coerente e voltada para a fixação das manifestações da cultura negra na sua expressão baiana. A destacar o elenco, que leva a platéia, há quase duas décadas, para o palco do Pelourinho e arredores.

[21:20] - 10/12/2008 -  RSS