Portal Terra
GOIÂNIA - O diretor-geral da Polícia Civil de Goiás, Marcos Martins Machado, e o comandante geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Edson Costa Araújo, foram exonerados de seus cargos pelo governador Alcides Rodrigues (PP). A intenção do governo é colocar fim a um conflito entre as duas corporações, que vinha se estendendo há meses. Oficialmente, a assessoria de imprensa do governador divulgou que a troca foi para dar uma "maior sinergia entre as corporações".
A animosidade entre as duas polícias era histórica, mas se acirrou nos últimos meses quando a PM começou a cobrir atribuições da Polícia Civil, como investigações e prisões. Em duas situações a rixa foi mais visível: a prisão de Mohammed D'Ali Carvalho dos Santos, 20 anos, acusado de matar e esquartejar a inglesa Cara Marie Burke, 17 anos, em julho deste ano, e a do suspeito Felipe Abdon Teixeira, 21 anos, acusado de roubar e matar o comerciante Renato Pereira da Silva no mês passado.
Em ambos os casos, policiais militares se anteciparam aos colegas civis e prenderam os acusados. Entretanto, foi na prisão de Felipe que a crise ficou insustentável. A morte de Renato, no dia 27 de outubro, causou grande comoção em Goiânia após a divulgação de imagens do crime, gravadas por um circuito interno de câmeras de um supermercado.
Nas imagens, dois homens que seriam Felipe e Renato são vistos lutando até o momento em que o jovem pega uma arma e atira no comerciante. Depois, o suspeito aparece pegando o dinheiro do caixa e, antes de fugir, dispara mais uma vez contra Renato. A cobrança da sociedade pela prisão do criminoso fez com que as polícias se mobilizassem para encontrá-lo.
A PM chegou a prender junto com Felipe, seu suposto cúmplice, o pintor Cristiano Soares Mendanha, 30 anos, mas o soltou por falta de provas. Os policiais civis que estavam no caso precisaram correr para mostrar que havia provas contra Cristiano, que teria alugado a arma do crime. Ele foi preso de novo, cerca de 30 minutos depois.
No mesmo dia, Marcos Martins teria ligado de sua sala para o comandante da PM e tido uma conversa ríspida. A prisão de Felipe e Cristiano só seria confirmada pela Polícia Civil na quarta-feira de manhã, mas a PM entrou em contato com alguns órgãos de imprensa locais ainda na noite de terça-feira para informar que prendeu os acusados.
A situação também ficou tensa devido ao aumento dos índices de criminalidade em Goiânia, principalmente os relacionados a homicídios. Na última terça-feira, o número de assassinatos na capital chegou, pela primeira vez na história, a 400. É uma média de 32 mortes por 100 mil habitantes, maior do que outras capitais, como São Paulo, onde esse índice é de 14 por 100 mil.
Há cinco meses, Marcos Martins teria procurado o secretário de Segurança Pública e Justiça, Ernesto Roller, para informar o desgaste e deixar seu cargo à disposição. A troca dos comandos foi discutida durante uma reunião na noite de ontem entre o governador Alcides Rodrigues e o secretário.
No lugar de Marcos Martins assume o delegado Aredes Correia Pires, que ocupava o cargo de delegado-chefe do Departamento de Polícia Judiciária, segundo cargo na hierarquia da Polícia Civil. Já no lugar do coronel Edson Costa assume o coronel Carlos Antônio Elias, superintendente das Academias de Polícia da Secretaria de Segurança Pública.
[20:48] - 20/11/2008 -
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