ECONOMIA

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Genéricos "surfam" na onda da crise

SÃO PAULO, 18 de novembro de 2008 - A indústria de medicamentos genéricos (cópia dos de marca) avançam a passos largos no mercado farmacêutico, mesmo em cenário econômico turbulento. "Estamos na crista da onda, e os méritos são atribuídos a fatos como aumento das expirações de patentes de medicamentos importantes como a sibutramina (inibidor de apetite), clopidogrel (droga antiplaquetária), contraceptivos, aumento do acesso a medicamento para tratar doenças crônicas, aumento de empregos e programas governamentais", informa Odnir Finotti, vice-presidente da Pró Genéricos - Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos.

A verdade anterior no Brasil - falta de acesso a medicamentos - mudou muito. "Agora, a população tem mais condições de consumir medicamentos, seja através do Programa Família ou comprando medicamentos mais baratos (até 40%) como os genéricos", diz o executivo.

Finotti informa ainda que a crise não deve interromper o cenário positivo do genérico, por enquanto. "Houve épocas piores. O nível de produção desse segmento vai continuar, tanto que a indústria de medicamentos genéricos bateu recorde de vendas no terceiro trimestre do ano. As vendas somaram US$ 588,3 milhões, alta de 47% frente aos US$ 401,1 milhões verificados no mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, entre janeiro e setembro, os laboratórios de genéricos já faturaram US$ 1,5 bilhão no varejo farmacêutico. O montante é superior ao resultado alcançado em todo o ano de 2007, quando atingiu a marca de US$ 1,3 bilhão, segundo dados do IMS Health, instituto que audita o mercado farmacêutico no Brasil e no mundo.

O mercado de genéricos também cresceu em volume. Entre julho e setembro deste ano, foram comercializadas 73,4 milhões unidades de genéricos no mercado brasileiro, contra 60,6 milhões em igual período de 2007 (crescimento de 21%). No acumulado do ano o crescimento foi de 17% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Mesmo com a expectativa de diminuição do ritmo do crescimento da economia brasileira para o próximo ano, devido à crise econômica, a Pró Genéricos ainda não refez suas metas de crescimento para 2009 em unidades. "A entidade mantém a perspectiva de crescimento médio de 20%", diz Finotti.

Outro aspecto positivo apontado por Finotti que vem beneficiando o consumidor e garantindo preços mais atraentes aos genéricos é a adoção do sistema de substituição tributária por alguns estados da federação. "A tributação dos genéricos na indústria permite redução no peso da carga tributária".

(Silvana Orsini - InvestNews)

[17:25] - 18/11/2008