Coluna Heloisa Tolipan, JB Online
RIO - As cortinas se abrem e um novo texto vem à baila. A peça? Novo presidente da Fundação Nacional das Artes, a Funarte. Ator principal? Sérgio Mamberti, que nesta segunda-feira toma posse deste novo papel em sua vida. Na platéia? Atores de teatro, a pedirem fervorosamente: “Senhor, rogai por nós!”. Pois bem, depois de uma atuação para lá de desconcertante do ex-presidente da instituição, o também ator Celso Frateschi – acusado de favorecimento à companhia de teatro Ágora, fundada por ele e cuja coordenação está a cargo de sua mulher, Sylvia Moreira – eis que o novo comandante Mamberti tem uma batata quente nas mãos: não levar em banho-maria a receita para um espetáculo de sucesso. Aos 69 anos, Mamberti tem mais de 70 peças teatrais nas costas e uma recente passagem pela vida política – durante este segundo mandato do governo Lula, ele esteve à frente das secretarias de Artes Cênicas e de Música e da Identidade e da Diversidade Cultural. Para cobrar ou elogiar, feras do segmento expuseram à coluna o que esperam da mudança.
Marcos Caruso (ator) –“Mamberti conhece o nosso ofício de dentro para fora e há um tempo vem trabalhando com política. Com certeza ele sabe os meios para ajudar o teatro. Porém, se não fizer o que sempre cobrou, aí o desespero total irá se instalar e eu não vou ter esperança em mais nada”.
Dani Barros (atriz) – “Espero que ele faça um bom trabalho e coloque todo mundo para trabalhar. O Rio precisa que as coisas aconteçam. Não quero sair daqui, quero ver a nossa cena teatral melhorar. Mas do jeito que está, admito até a possibilidade de ir para o Japão, para a China, para qualquer lugar”.
André Abujamra (cantor e compositor) – “Não crio expectativas. Nunca. Não espero nada de ninguém. Nem para a vida, nem para a arte. Não dependo de dinheiro para fazer algo. Quem quer mesmo fazer teatro, que pegue uma cadeira e se apresente na sala para a avó. Não desprezo a arte, mas o artista precisa esperar menos para ser artista”.
Marco Nanini (ator) – “Torço para que o teatro se fortaleça. Acredito que Mamberti irá fazer um bom trabalho, já que sempre viveu para e da arte. Não acho que ele privilegiará apenas o teatro, mas pelo menos o nosso segmento estará bem representado”.
Marieta Severo (atriz) – “Trabalhei com o Mamberti em 1966, somos jurássicos no teatro, mas acho que ele sabe, mais que eu, as coisas que precisam mudar”.
Andréa Beltrão (atriz) - “Minhas expectativas são as melhores possíveis, mas hoje não falaremos de problemas. Todos têm e então deixemos de lado”.
Paulo Goulart (ator) – “As pessoas ligadas ao teatro esperam o melhor de Mamberti, mas nestes cargos políticos não se faz somente o que se quer. Acredito que ele irá criar parcerias, afinal, hoje ninguém consegue mais nada sozinho. Não vê que até bancos estão se juntando?”.
Fernando Salem (roteirista) – “Não consigo opinar quando artistas entram no ecossistema da vida pública. O sucesso desta empreitada depende de muitos outros fatores. Temos uma relação meio promíscua com política, mas, de qualquer forma, aposto no Mamberti”.
Glória Menezes (atriz) – “É bom quando atores que sabem das nossas dificuldades e entendem os nossos tropeços nos representam. Mamberti é uma esperança para nós, porque é uma pessoa interessada e tem filhos trabalhando no teatro também”.
[12:59] - 15/11/2008 -
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