CULTURA

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Com Mário Broder no vocal, Farofa Carioca perde o gosto

Ricardo Schott, JB Online

RIO - O Farofa Carioca estreou em disco com um lançamento primoroso, Moro no Brasil (1998), numa época em que a fusão de samba e sons black voltava tateando à mídia. Não se falava em Tim Maia Racional, O Rappa (também acostumado à mesma fusão) estava prestes a dar seu maior passo com Lado B lado A e álbuns antigos de Banda Black Rio, Gerson King Combo, Carlos Dafé e Bebeto ainda eram inéditos em CD, exclusividades de sebos e de colecionadores fanáticos.

Era um projeto redentor – e que, por conta disso, acabou atraindo até mesmo nomes antigos da black music nativa, que dividiam o palco com o grupo – mas que perdeu com a saída de seu frontman (o hoje cantor-ator-popstar Seu Jorge) e de um de seus grandes artífices (o compositor Gabriel Moura, atualmente em carreira solo).

Acabou sendo impossível de imaginar que Tubo de ensaio, segundo CD de inéditas da banda, pudesse repetir o brilho do álbum de estréia. E não repetiu. Vale citar que o grupo sequer cortou o cordão umbilical com seus ex-membros: Gabriel Moura compõe sete das 11 canções e uma delas, a divertida Samba rock, perdeu a corrida para ser “o” novo hit do Farofa: sua gravação original está em América Brasil: o disco, de Seu Jorge.

Procura-se um hit

Com o tempo, o Farofa virou uma banda de palco – mais do que um grupo que lança discos inéditos e novas músicas. Hoje, com Mário Broder (ex-Funk'n'Lata) no lugar de Seu Jorge, o grupo lança um CD que serve mais como um cartão de visita para o que o público vai ver no palco do que como uma grande novidade do mercado.

É divertido ver um show do Farofa – que conta também com Sérgio Granha (baixo), Carlos Moura (trombone), Wellington Coelho, Sandro Marcio (percussão) e Valmir Ribeiro (cavaquinho e percussão). Em disco, falta um hit como Moro no Brasil ou São Gonça, cantadas a plenos pulmões pelo público da banda por volta dos anos 90.

Há bons sambas-funk, como Rio batucada, que quase chegam lá, embora dividam espaço com a pouca criatividade de músicas como o reggae Pare e pense e com o tom quase monocórdico de Rap do negão – que soa como Moro no Brasil despida das características de hit do original, em letra e música.

No repertório, ainda há faixas boas como o soul Trem de mais um dia, seguindo uma linha assemelhada à de Tim Maia (Claudio Mazza, último arranjador do Síndico, cuidou das bases do álbum, por sinal) e até regravações interessantes, como a versão disco de Pra que vou recordar o que chorei, de Carlos Dafé. Feira de Acari, do MC Batata, vem em divertida versão samba-funk – só peca por ter perdido as partes mais engraçadas da letra original. No fim, Tubo de ensaio mostra que, para sobreviver como grupo que lança discos inéditos e escapar de comparações com o passado, o Farofa precisa investir em canções próprias que sejam realmente impactantes. Ou assumir que já está na hora de trocar de turma.

[10:06] - 04/11/2008