Eloisa Leandro, JB Online
RIO - Um dia após a derrota, a aparência abatida de Fernando Gabeira (PV) denunciava o sentimento. Ele cumpriu o prometido e foi nadar, às 9h20, no Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea, onde permaneceu cerca de uma hora. Gabeira voltou à sua rotina, porém, prometeu fiscalizar o governo de Paes. Cansado do ritmo de campanha, pretende viajar por dois dias esta semana, ainda sem data e destino definidos.
O candidato derrotado criticou a omissão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em relação às apreensões de panfletos apócrifos contra a sua candidatura, distribuição de cestas básicas, de kits escolares do Programa Segundo Tempo – uma parceria entre os governos estadual e federal – e a suposta compra de votos na Rocinha.
– Nós lutamos da maneira possível, mas fomos prejudicados por alguns elementos, como o uso da máquina pública. Não me preocupo em lutar contra a máquina e nem de ter sido difamado na mídia, mas fiquei triste em saber que tiraram a merenda das crianças – lamentou Gabeira, ao lembrar da apreensão de 90 panfletos apócrifos com kits escolares, num comitê que seria de Paes, domingo, em Madureira. – Soubemos que estavam distribuindo cestas básicas na Rocinha, no sábado, além de R$ 50 para os moradores, o que caracteriza a compra de voto.
De volta ao Congresso
Gabeira, que retoma o mandato de deputado federal, lamentou ainda que 250 votos não tenham sido computados no Leblon e o defeito da tecla 4 de uma urna em Laranjeiras – seu número era 43.
– Infelizmente, no Brasil essa prática não é um escândalo.
Gabeira disse que o feriado também pode ter atrapalhado, principalmente pelos 30% de abstenções em Copacabana.
Afirmou que não teve acesso às contas do PMDB.
– Sei que minhas contas estão na internet, agi com transparência, gastei em toda a campanha R$ 4,3 milhões. Quanto ao outro candidato, não tive acesso às contas, mas não podemos descartar a possibilidade de caixa dois.
Conselho de ética
Gabeira pretende contar com o apoio dos vereadores da sua bancada para evitar corrupção na próxima gestão municipal.
– Quero contar com os 10 ou 12 vereadores da coligação. Penso em sugerir a criação de um conselho de ética e de uma corregedoria. Pelo menos, vai ficar parecendo um parlamento – disparou.
Lutar pelo combate à dengue é sua prioridade, embora não esteja no Executivo. Disse que pedirá apoio à empresários e voluntários.
– Penso em me aprofundar mais em um programa usado em Fortaleza, que ajudou muito no combate da dengue. Já conversei com donos de hospitais, que estão inclinados a ajudar, pretendo também contar com a colaboração de artistas e da população.
Quanto aos próximos passos na política, o deputado disse ainda não ter planos.
– O negócio é viver a vida. Se a vida me empurrar para uma outra candidatura a gente vai – brincou.
Sobre a crise econômica, Gabeira se disse muito preocupado quanto aos cortes no orçamento para a próxima gestão.
– A cidade do Rio de Janeiro enfrenta uma crise, além da crise financeira internacional. Não sei como vai ficar, mas o candidato vencedor está se escorando nos governos estadual e federal, só que se esquece que a crise também irá se refletir lá – alfineta Gabeira.
[00:58] - 28/10/2008