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Funcionários da Aerolíneas Argentinas suspendem vôos em Buenos Aires

Agência ANSA

BUENOS AIRES - Os funcionários da companhia aérea Aerolíneas Argentinas anunciaram o cancelamento de todos os vôos que partiriam do aeroparque de Buenos Aires, de onde saem principalmente rotas domésticas. Segundo fontes sindicais, a medida é um protesto contra agressões cometidas por passageiros que estavam irritados com atrasos.

Entre os vôos suspensos estão os que têm como destino Montevidéu, no Uruguai. Em declarações citadas pelo jornal Clarín, um representante da Associação de Profissionais Aeronáuticos (APA), que realiza o protesto, garantiu que as paralisações serão mantidas até que a empresa dê "respostas concretas" para evitar novos episódios de violência.

Há meses que as Aerolíneas Argentinas e sua subsidiária Austral são motivo de discórdia entre o governo argentino, que quer nacionalizá-la, e o grupo espanhol Marsans, proprietário das companhias, que acumulam dívidas e enfrentam dificuldades para manter suas operações.

O ponto que mais dificulta um acordo diz respeito aos preços do patrimônio das empresas. Ontem, o Tribunal de Taxações da Nação (TNN) argentino apresentou a uma comissão formada por deputados e senadores um levantamento segundo o qual as duas apresentam um valor negativo de US$ 823,8 milhões.

O número é bastante diferente do sustentado pelo próprio grupo Marsans, que se baseia em um estudo do banco Credit Suisse para afirmar que as ações das duas empresas têm um preço máximo de US$ 540 milhões.

Ante os temores de que a presidente Cristina Kirchner poderia recorrer a uma expropriação - que cresceram após a apresentação de um projeto de lei para estatizar o sistema de aposentadorias, há três dias - o governo espanhol quer garantias de que as negociações serão respeitadas.

O governo argentino argumenta, porém, que a nacionalização só se dará por meio da compra das ações das duas companhias.

[11:49] - 24/10/2008