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SÃO PAULO - O pai de Eloá Pimentel, Everaldo Pereira dos Santos, não deve se apresentar à polícia pelo menos nos próximos 15 dias. A informação é do advogado Ademar Gomes, que defende o ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas acusado de homicídios naquele Estado.
Segundo o advogado, Everaldo, que se apresentava antes do seqüestro da filha como Aldo José da Silva, ficará foragido até que o processo do qual é acusado chegue em suas mãos para ser analisado. - Deve demorar 10 ou 15 dias para que eu receba. A partir de então vou estudar o processo mais uns dias para ver se cabe um habeas corpus para que Everaldo possa responder em liberdade a acusações - disse Gomes.
O advogado também informou que Everaldo o procurou um dia após o início do seqüestro de Eloá e explicou o caso. - Ele me disse que tinha essas acusações em Alagoas e que estaria disposto a se entregar, mas queria duas garantias: que acompanharia o desfecho do seqüestro da filha e que não seria recambiado para Alagoas, onde tem medo de morrer - afirmou.
Ademar Gomes explicou a Everaldo que não havia como garantir essas duas condições, já que se fosse preso, seria levado para Maceió. - Ele me disse que a filha estava em primeiro lugar pra ele e que ele acompanharia todo o seqüestro mesmo correndo o risco de ser preso - contou o advogado.
- Depois do trágico desfecho, como seu advogado, o aconselhei a esperar uma análise do processo para então se entregar - concluiu.
Everaldo Pereira dos Santos é acusado de envolvimento com a Gangue da Farda, que no início dos anos 90 cometeu homicídios em Alagoas. Ele é diretamente acusado pela morte do delegado Ricardo Lessa e do motorista dele, Antônio Carlota, em outubro de 1991
O advogado de Everaldo disse que, à época do crime, o cliente fazia escolta para o delegado Lessa e teria sido afastado da função pelo Secretario de Segurança Pública, Rubens Quintela, "sob alegação de que ele sabia demais". - Ele nega envolvimento em todos os crimes de que é acusado - disse Gomes.
Segundo a defesa, em 1993, quando o acusado começou a ser procurado pela polícia de Alagoas, resolveu se mudar para São Paulo. A mulher dele estava grávida da Eloá. Ao chegar no Estado, arrumou documentos com outros nomes e passou a exercer a função de vigilante, trabalho pelo qual ganhava cerca de R$ 1,5 mil.
Pelo crime, o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos foi indiciado por homicídio triplamente qualificado. O acusado, que era procurado pela Justiça do Estado, também disse que não integrou a chamada gangue da farda.
[12:19] - 22/10/2008