ANGRA DOS REIS, 7 de outubro de 2008 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou hoje a falta de ação do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a crise financeira. "Quando era o Brasil que tinha problema, todo dia tinha uma equipe do FMI e todo mundo dava palpite, mandando fazer isso ou aquilo. Quando a crise é deles, eles fingem que não tem crise", indagou. "No G8, eles querem falar da Amazônia, e não falam de crise", completou, ovacionado pelos três mil operários que construíram a P-51, plataforma entregue hoje pelo estaleiro Brasfels à Petrobras.
O presidente brasileiro quer sugerir medidas aos bancos centrais de todo o mundo para previnir novas crises financeiras provocadas pelos mesmos erros que derrubaram as bolsas de todo o mundo nas últimas semanas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, desembarcam hoje nos Estados Unidos com esta missão. "Os bancos centrais precisam tomar uma atitude para regular o sistema financeiro internacional. Não pode permitir alavancagem além da competência de um banco. Aqui no Brasil, um banco de investimento pode alavancar no máximo 10 vezes o Patrimonio, nos EUA chega a 35 vezes, numa demonstração de que as pessoas estão vendendo financiamento de coisa que não podem garantir" disse.
Lula acusou os agentes do sistema financeiro americano de agiotas profissinais. E também cutucou o bancos europeus, dizendo que estes participaram do "cassino imobiliário americano". "Temos que acabar com essa maldita figura do bônus no mercado financeiro. Ficam agiotas profissionais inventando ganhos para receber mais bônus", completou.
(Sabrina Lorenzi - Gazeta Mercantil)
[18:53] - 07/10/2008