Hugo Cals, JB Online
RIO - Quincas Borba. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Dom Casmurro. Mesmo sem nunca ter lido um desses clássicos da literatura nacional, é difícil achar algum brasileiro que não tenha na ponta da língua o nome do autor desses romances: Joaquim Maria Machado de Assis, mais conhecido apenas por seus dois últimos nomes.
Carioca, nascido em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento, Machado se tornou um dos autores mais importantes da produção literária no Brasil, primeiro se lançando como poeta, depois como romancista, fundando a Academia Brasileira de Letras em 1887 - da qual foi o primeiro presidente - e vindo a falecer no dia 29 de setembro de 1908, em sua casa no Cosme Velho.
Apesar de obstáculos como a origem humilde, a gagueira e a epilepsia, Machado aprendeu a ler e escrever por conta própria e foi o autor pioneiro da corrente literária conhecida por realismo, que tem como características a introspecção, o humor e o pessimismo com relação à essência do homem e seu relacionamento com o mundo.
Apelidado de 'Bruxo do Cosme Velho' por seu ilustre amigo Carlos Drummond de Andrade, Machado teve uma vida excepcional, marcada por amigos famosos, como Euclides da Cunha e José de Alencar, além de obras excepcionais, que atualmente contam até mesmo com fãs de fora das fronteiras brasileiras, como por exemplo o cineasta nova-iorquino Woody Allen, que já revelou em entrevista ser fã das obras do autor carioca.
No centenário de sua morte, além das diversas homenagens que Machado está recebendo no Brasil, como mostras, reportagens especiais, relançamento de suas obras e até mesmo um almanaque só sobre o autor, a imprensa internacional também está dando destaque para a data, tão especial no calendário literário brasileiro.
Na última semana o New York Times, um dos jornais mais respeitados dos EUA, publicou um artigo de duas páginas sobre Machado com o título “Após um século, a reputação literária finalmente floresce” em que o repórter Larry Rohter se rasga em elogios ao autor, citando diversos outros nomes e artigos, como Susan Sontag e o livro “Genius”, do crítico Harold Bloom, que define Machado como o “autor negro supremo”. A matéria também menciona um aspecto de Machado pouco mencionado nos especiais brasileiros: o autor teve uma carreira paralela como tradutor, trazendo para o português obras de autores como Edgar Allan Poe e Shakeaspeare.
A publicação no jornal norte-americano também convida para uma homenagem ao autor na cidade de Nova York, batizada de “Machado 21: A Centennial Celebration”, que aconteceu na última semana, entre os dias 15 e 19 de setembro que incluiu mesas redondas, seminários, exibições de filmes inspirados em suas obras, além de poemas musicados do autor.
Do outro lado do oceano Atlântico, em Portugal, mais uma homenagem a Machado: um colóquio internacional dedicado exclusivamente ao autor, que acontece em Lisboa hoje e amanhã, é tema de reportagem publicada pela Lusa, a agência de notícias de Portugal. A agência também publicou outra matéria em que menciona Machado, incluindo o autor na lista das 100 personalidades mais influentes da América Latina.
Em matéria sobre literatura de diversas partes do mundo, publicada na edição eletrônica do jornal The Guardian, da Inglaterra, Machado é apresentado como um gênio brasileiro, cujo trabalho deveria ser melhor reconhecido pelo público que tem como base a língua inglesa.
No ano em que sua morte completa um século, Machado ganha merecido reconhecimento internacional. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou todas as 243 obras de Machado na internet, em edições digitais, confiáveis e gratuitas, no endereço http://portal.mec.gov.br/machado
[10:12] - 29/09/2008