Jornal do Brasil
RIO - As balas perdidas – maior temor dos cariocas (57% dos entrevistados), segundo pesquisa recente feita pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – mataram oito pessoas e feriram outras 127 no Estado neste primeiro semestre, conforme pesquisa divulgada ontem pelo mesmo ISP. Embora o número continue alto – quase um por dia – o índice caiu 21,1% quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando 171 pessoas foram atingidas, 12 delas fatais.
A capital foi a região que mais registrou vítimas: foram cinco mortes e outros 93 feridos, contra 135 feridos e 12 mortos no ano passado. A Baixada Fluminense veio logo a seguir com três mortes provocadas por bala perdida e outras 23 vítimas. A região da Grande Niterói registrou outras seis vítimas e, no interior, mais cinco pessoas foram atingidas por balas perdidas.
Ao todo, 135 pessoas foram atingidas. Se comparado com o 1º semestre de 2007, houve uma redução de 21,1% (171 vítimas). Dados divulgados recentemente pelo instituto revelaram uma queda de 8,8% no número de homicídios. Ao todo, no primeiro semestre, 2.859 pessoas foram assassinadas – 71% delas por arma de fogo.
De acordo com o relatório temático divulgado pelo instituto, 37,5% das vítimas fatais eram adultos entre 30 e 59 anos. Adolescentes de 12 a 17 anos correspondem a 25%.
Um dos dados que mais chamou a atenção do ISP foi que o maior percentual (75%) corresponde a homens. O mesmo percentual se refere ao local onde as vítimas foram atingidas, em vias públicas. Além disso, 87,5% das vítimas não notaram qualquer evento próximo ao local onde foram atingidas, o que demonstra o poder de fogo dos armamentos utilizados na guerra entre polícia e traficantes no Rio.
Recorde em abril
O mês de abril foi o que registrou maior número de vítimas, num total de 31. Março foi o segundo com maior alta, num total de 28, enquanto os meses seguintes revelam uma curva descendente, chegando a 11 vítimas em junho. Entre os feridos não fatais, o maior percentual foi de jovens entre 18 e 29 anos – 80% deles do sexo masculino.
Em 20 de agosto, uma pesquisa também feita pelo ISP revelou que o maior medo do carioca era justamente de balas perdidas. Foi o que responderam 57% dos entrevistados. Em seguida veio tiroteio (com 43,5%) e assaltos a residência (com 37,69%).
Os pesquisadores percorreram mais de 75 mil domicílios na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro. Do total, foi registrada uma taxa de vitimização de 39%. A pesquisa revelou ainda que só 7% confiam totalmente na Polícia Militar e 70,3% consideram ruim ou péssima a distribuição do policiamento ostensivo nos bairros. No caso da Polícia Civil, o índice dos que confiam totalmente cresce para 9,2%.
[00:07] - 27/09/2008