ESPORTES

publicidade

Talento e união fazem a força das meninas

Tiago Leite, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A recém-formada seleção brasileira feminina sub-17 treina pesado na Granja Comary, em Teresópolis, visando a disputa do primeiro Mundial da categoria, em outubro, na Nova Zelândia, e as meninas impressionam pela disposição e empenho.

Desde a primeira convocação para disputa do Sul-Americano, que ocorreu em janeiro, no Chile, onde o Brasil foi vice-campeão – atrás da Colômbia no saldo de gols – e garantiu vaga para o Mundial, a tônica nos treinamentos vem sendo a determinação das atletas, segundo o técnico Marcos Gaspar.

– Elas são guerreiras. Não as vejo reclamando de nada e nunca tive o menor problema em relação à disciplina – conta o treinador.

De fato, nem a chuva e o frio de Teresópolis, que não deram trégua no atual período de preparação, fazem as meninas perderem a concentração. A cada bateria de treinos, gritos de motivação são ouvidos, demonstrando a união entre elas.

– Nosso grupo é muito unido. Estamos o tempo todo nos incentivamos – revela Ketlen, atacante de 16 anos, que nasceu em Rio Fortuna (SC), mas mora em São Paulo, onde joga pelo Santos. Ela disputa o campeonato paulista adulto deste ano e já marcou 12 gols.

O desejo de seguir carreira no futebol é comum a todas as convocadas e o Mundial pode representar um divisor em suas trajetórias. Visando a conquista da competição, Gaspar arrumou uma maneira interessante de manter a equipe sempre focada nos objetivos.

– Nessa segunda convocação para o mundial, entreguei uma medalha de ouro para cada uma das 26 jogadoras. A atleta só pode retirá-la para treinar – explica o treinador – Antes da viagem à Nova Zelândia pegarei as medalhas de volta. Se elas quiserem continuar com o ouro no peito, terão de buscá-lo no Mundial.

Os recentes resultados da seleção principal, faz com que as jovens tenham esperanças numa sensível melhora no investimento ao esporte. Se num passado recente era comum as brasileiras citarem jogadores como ídolo, as meninas se espelham na geração de Marta e companhia.

– Meu ídolo é a Elaine, que é baiana como eu e joga no exterior – conta a lateral-direita Rafaelle, de 17 anos.

– Admiro a Renata Costa, a Aline e a Mônica – revela a zagueira Tuani, 17 anos, atleta do Inter-RS.

Para uma atacante como Raquel, também de 17 anos e que joga no Atlético-MG, não é difícil imaginar que a referência é Marta. A única que citou um homem como ídolo foi a goleira Aline, nascida em Sinope, terra de Rogério Ceni. Mas engana-se quem acha que o arqueiro são-paulino é o escolhido.

– Meu ídolo é meu irmão, que também é goleiro e jogou no Uruguai – disse.

Estrela emergente

Em meio a tantas talentos, uma promessa começa a surgir precocemente. Trata-se de Bia, a mais nova da turma. Com apenas 14 anos ela foi eleita a melhor jogadora do Sul-americano, no qual fez cinco gols em sete jogos.

– Foi muito bom esse reconhecimento, pois treino bastante. Espero que no Mundial isso se repita – disse a atleta, que joga o campeonato paulista adulto pela Ferroviária.

Medindo 1,73m de altura (seu pai tem 1,92m) Bia conta que foi alvo de brincadeiras das companheiras.

– Pelo meu tamanho, as meninas brincavam que eu não tinha 14 anos. Diziam que eu era 'gato' – diverte-se.

Meio-campo canhota, de estilo clássico, Bia é uma das apostas de Gaspar para o futuro.

– É claro que ela ainda é muito nova, mas tem boa visão de jogo, chega bem na frente e também sabe marcar – avalia o treinador.

[22:47] - 21/09/2008