ELEIÇÕES 2008

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Tropas nas comunidades, mas sem os candidatos

Jornal do Brasil

RIO - Uma tropa com dois mil homens do Exército e da Marinha, fardados e equipados com fuzis e tanques de guerra, começou nesta quinta-feira a ocupar os currais controlados pelo tráfico e pelas milícias no Complexo da Maré e na Zona Oeste – Rio das Pedras, Gardênia Azul e Cidade de Deus. As Forças Armadas entraram nas favelas para permitir a liberdade da propaganda, mas os candidatos ignoraram a ajuda: dos quase dois mil candidatos, poucos panfletaram nesta quinta, nenhum dos concorrentes ao cargo majoritário.

A despeito de tamanho aparato, o impacto da intervenção das Forças Armadas no cenário eleitoral do Rio deverá ser, principalmente, de efeito moral e também efêmero – segundo o próprio presidente interino do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Alberto Motta Moraes. A exigência de autorização prévia, através do envio de uma lista com nomes de candidatos, deixou os partidos em pé-de-guerra. No final do dia o TRE voltou atrás e derrubou a medida, mantendo a exigência apenas para comícios.

De acordo com o desembargador Motta Moraes, não há qualquer pretensão entre os objetivos da Operação Guanabara de dar solução concreta e de caráter permanente ao problema crônico da violência no Estado. A missão se restringe apenas a uma tentativa de garantir, pela presença ostensiva, porém passiva, dos militares, a segurança de candidatos – no caso de comícios em áreas de risco – e de eleitores dessas comunidades, até o final do período eleitoral e ponto.

– Não cabe às Forças Armadas exercer papel de polícia. O que se procura transmitir é tranqüilidade. Os candidatos foram a grande motivação dessa operação. Um cabo eleitoral foi assassinado (quarta-feira). Mas não vamos levar um remédio que cure a doença. Não temos condições, infelizmente, nem o governo do Estado tem – explicou Motta Moraes sobre a operação de caráter inédito na história política do país.

Segundo o desembargador, a Justiça atendeu ao pedido de ajuda:

– E isso é o que foi possível ofertar. Quando a polícia entra, são 40, 50 homens. Nesta quinta foram 500. Pode chegar ao todo a 3.500 homens. Se há reclamações de candidatos, que não querem entrar com as Forças Armadas, isso, na minha interpretação, é alguém querendo pautar a atividade da Justiça Eleitoral por interesse midiático, um jogo de marketing muito conhecido – reagiu.

Até o final da tarde, apenas a candidata Solange Amaral (DEM) havia feito pedido formal ao TRE de autorização para panfletagem em Rio das Pedras nesta sexta-feira. Mas o TRE informou, no início da noite, que esse tipo de atividade não exige agendamento prévio, medida prevista apenas para comícios em pontos específicos preparados pelo TRE dentro das favelas. Os comícios poderão ser realizados das 12h às 18h.

O presidente interino do TRE admitiu que a saída da tropa ao fim das eleições poderá ser difícil:

– Que a saída vai implicar em alguma coisa, vai.

Debate nos partidos

Enquanto as tropas assumem seus lugares nas favelas, os partidos começam a se reunir com os membros de suas Executivas para decidir como atuar. Nesta sexta, o PDT se reunirá para definir as orientações que serão transmitidas aos candidatos. O PT fará o mesmo na segunda-feira. Já o PSDB se reúne nesta sexta para debater o tema. Dos 69 candidatos do partido, nenhum deles pediu, até agora, nenhum tipo de autorização para fazer comício. Já o PV decidiu, segundo o advogado Eurico Corrêa, que "não vai mudar a agenda dos para se utilizar da ocupação". O DEM vai colaborar com os candidatos que desejarem fazer campanha nos locais sitiados.

– A criminalização da eleição do Rio não interessa aos partidos políticos – disse Paulo Cerri, presidente do partido.

O PSOL decidiu não entrar nos locais onde as tropas estiverem. Na avaliação do presidente Jefferson Moura, a presença das tropas "não garante o direito constitucional de ir e vir do candidato e do morador".

[00:46] - 12/09/2008