ECONOMIA

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Bolsa volta ao nível de 16 de agosto de 2007

SÃO PAULO, 9 de setembro de 2008 - O humor desta terça-feira foi o pior possível. É assim que o gestor do Modal Asset Management, André Simões Cardoso, resumiu a movimentação nos principais mercados acionários mundiais. O índice acionário da BM&FBovespa seguiu a tendência e despencou para o menor patamar desde 16 de agosto de 2007. Ao final dos negócios, a praça doméstica marcou forte desvalorização de 4,5%, aos 48.435 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,02 bilhões.

Uma série de fatores contribuiu para o pessimismo dos investidores. "Forte queda das commodities no mercado internacional, perspectiva de que a economia mundial já foi afetada e notícias negativas vindas do setor financeiro norte-americano - inclusive com incertezas geradas pelo plano de ajuda a Fannie Mae e Freddie Mac - levaram os mercados à derrocada", explica o gestor do Modal Asset Management.

Os preços do petróleo encerraram o dia em forte baixa, pressionados pelas especulações de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) irá manter o nível de produção inalterado e pela perda de intensidade do furacão Ike. Com isso, o barril tipo Brent encerrou o dia abaixo dos US$ 100 em Londres. Neste cenário, as ações preferenciais e ordinárias da estatal petrolífera recuaram 6,31% e 6,99%, respectivamente.

Ainda no âmbito doméstico, a Vale enviou comunicado ao mercado, confirmando a negociação da convergência dos preços de referência para o minério de ferro com seus clientes da Ásia. Hoje os preços para os clientes asiáticos são menores aos praticados para clientes da Europa em 11% a 11,5%, dependendo do tipo de minério. A empresa informou ainda que as negociações estão em andamento, o que não permite dizer que já foram aprovadas.

"Se deliberado o ajuste de preços, implicará em incremento estimado de receita inferior a 3% da receita total da Vale do período de doze meses encerrado em 30 de junho de 2008, a qual somou US$ 35,481 bilhões", de acordo com comunicado. As ações preferenciais série A e ordinárias da companhia caíam 4,33% e 4,96%, respectivamente.

Já no front externo, novas notícias vindas do setor financeiro norte-americano também não foram animadoras. Os investidores reagiram à saída de Kerry Killinger executivo-chefe do Washington Mutual. Ele deixa a instituição na qual atuava desde 1990 e em seu lugar é apontado Alan Fishman que possui mais de 25 anos de experiência como executivo-sênior.

Já o Wells Fargo anunciou que prevê prejuízos no terceiro trimestre deste ano e terá encargos em seu resultado nos investimentos em títulos preferenciais perpétuos emitidos pela Fannie Mae e pela Freddie Mac. Os investimentos nos títulos da Fannie Mae somam US$ 336 milhões, enquanto que os investimentos na Freddie Mac totalizam US$ 144 milhões.

Mas a notícia que mais pesou foram os rumores de que as negociações entre Banco de Desenvolvimento da Coréia (KDB, na sigla em inglês) e o Lehman Brothers foram encerradas sem um acordo, segundo reportagem publicada pelo "The Wall Street Journal". A instituição asiática pretendia adquirir uma participação no banco norte-americano.

Dentre as 66 ações que compõem o Ibovespa, os principais destaques de alta foram Klabin PN (+1,62%), Pão de Açúcar-CBD PN (+1,52%) e Ambev PN (+1,18%). Já entre as três maiores desvalorizações estiveram Cosan ON (-14,66%), Rossi ON (-9,69%) e BM&FBovespa (-9,53%).

Já o Ibovespa com vencimento em outubro registrou queda de 4,94%, a 49.000 pontos, nas negociações futuras da BM&FBovespa.

(Vanessa Correia - InvestNews)

[17:47] - 09/09/2008