Joana Duarte , Jornal do Brasil
RIO - Recentes pesquisas da opinião pública americana mostram: 75% a 80% dos americanos acham que os Estados Unidos estão caminhando na direção errada. Acreditam que algo precisa mudar, e apostam nas eleições presidenciais de novembro para efetuar tal transformação.
– Toda eleição presidencial se baseia ou no conceito de mudança ou de continuidade – explica Robert Schmuhl, professor de estudos americanos da Universidade de Notre Dame, na Indiana.
– As eleições de 2008 claramente representam uma era de mudança.
Basta só definir o significado desse câmbio, particularmente na política do candidato republicano, John McCain, que apropriou o preeminente slogan da chapa de Obama, “Mudança”, em seu discurso de quinta-feira, mas sem entrar em detalhes. McCain martelou essa idéia, alimentou-a de colherzinha aos republicanos que lamberam os beiços, aparentemente sem questionar sua substância.
– McCain está dizendo que sua experiência como um rebelde obstinado levará o país a passar por mudanças – traduziu Schmuhl.
– A questão agora é descobrir se isso é uma realidade ou não. Depois de oito anos de um governo republicano ruim, é difícil acreditar em mudanças vindas do partido.
Não é de hoje que McCain vem tentando se rotular um republicano "maverick" – independente e não conformista – capaz de tomar as rédeas das mudanças necessárias. Aparentemente, percebeu que suas duras críticas à inexperiência de Obama não estavam fazendo efeito, e agora tenta se redefinir para atrair os indecisos.
Enquanto isso, para conseguir reter a vantagem conquistada com o seu slogan, Obama também precisará apresentar muito mais do que um esboço dos contornos das mudanças que preceitua.
– O democrata foi muito mais específico em seu discurso sobre o perfil da agenda Obama – elogiou Schmuhl, um democrata.
– Precisa continuar a explicar o significado dessas mudanças.
Às vezes, McCain aparenta concorrer contra seu próprio partido. Esforça-se para distanciar sua imagem do fracassado governo Bush, apesar de propor política semelhante. Durante sua carreira no Senado, por exemplo, McCain votou com o texano em mais de 90% das legislações propostas pelo governo.
– McCain está tentando ser diferente, mas é fingimento – constatou a professora de Ciências Políticas da Universidade de Brown, Melani Cammet.
– Segundo Melani, o partido republicano é magistral em retórica.
Talvez a mudança a que McCain se refira seja uma mudança na sua própria ideologia republicana, que ficou mais conservadora com a nomeação de Palin para vice.
[00:04] - 06/09/2008