Braulio Lorentz e Ricardo Schott, Jornal do Brasil
RIO - Em menos de 48 horas, 75 mil ingressos se esgotaram. A parte brasileira da turnê Sticky & sweet, de Madonna, impressiona. Alcançou cifras de vendagem exorbitantes, ainda mais em se tratando de ingressos caros (o mais barato no Rio custa R$ 180, a arquibancada).
E mais ainda levando-se em conta o punhado de dificuldades que os fãs tiveram para comprar os tíquetes online. Cansados de acessar o site em vão em busca do mais cobiçado convite da temporada, os interessados fizeram longas filas na porta do Maracanã, onde será realizado o show carioca, em 14 de dezembro.
Quatro setores (vip, pista, arquibancada central e cadeiras centrais) se esgotaram 18 horas depois de os ingressos serem postos à venda. Em apenas dois dias, Sticky & sweet já era, historicamente, o megashow de artista internacional mais procurado do Brasil.
A ponto de a organização negociar com a produção da artista a contratação de mais um show em São Paulo.
– É mais uma prova da força do mercado brasileiro. A vinda dela ao Brasil é mais expressiva do que nos países europeus – avalia Roberto Medina, o criador do Rock in Rio. –
Em outros lugares, a Madonna abriu uma data, não esgotou e por isso nem marcou o segundo show. Mas aqui ela é garantia de sucesso.
O produtor aproveitou a movimentação em torno de Madonna para pensar numa nova maneira de vender ingressos de seus eventos.
– Se fizer o Rock in Rio São Paulo vou pensar nessa estrutura de vendas por internet. Mas é preciso ter também o apoio de muitos pontos físicos de venda – conclui.
Do lado dos fãs, mesmo entre os que conseguiram comprar ingressos, sobram insatisfações. Responsável pelo mais importante site brasileiro dedicado à cantora, o http://www.madonnaonline.com.br, Rafael Augusto conseguiu seu ingresso vip no Rio por meio de uma pré-venda destinada ao fã-clube oficial americano.
– Está sendo um caos generalizado – resume Augusto. – O sistema é falho. A Time For Fun conseguiu fazer o pior sistema de vendas dessa turnê da Madonna.
Lotações em 45 minutos
A etapa suíça da turnê, no domingo, levou mais de 72 mil fãs a um campo de pouso militar nas proximidades de Zurique. Nunca um artista havia reunido tanta gente a um show no país.
Dois anos antes, os Rolling Stones atraíram de 62 mil pessoas ao mesmo lugar. Rafael Augusto confirma, mas ressalta que isso tem acontecido mais em praças nas quais a cantora não costuma se apresentar. O México, que não recebia um show de Madonna há 15 anos e verá a cantora em 29 e 30 de novembro, no Foro Sol, é bom exemplo disso.
– Em 5 minutos, já haviam sido vendidos 65 mil ingressos. Em 47 minutos, todos estavam esgotados – diz.
– Em Paris, mesmo com a Madonna se apresentando muito lá, os ingressos para as duas datas se esgotaram rapidamente. Mas Londres está um fiasco. A turnê anterior teve oito datas no Wembley Arena. Agora se optou por fazer num estádio e uma data só.
Maitê Quartucci, diretora artística das casas de shows Vivo Rio e do HSBC Arena, considera que a grande procura se justifica por causa do tempo em que a cantora ficou sem vir ao Brasil.
– Ela não se apresenta aqui desde os anos 90 e está maravilhosa, em plena forma, aos 50 anos – diz Maitê, aproveitando para ressaltar que, atualmente, artistas com carreira longeva vão muito bem no mercado de shows.
– Vê só o que aconteceu com o show do Police. Ou com o show do Aznavour, que marcamos no Vivo Rio, ficou lotado, e estamos repetindo agora. É comum, quando um artista não vem há muito tempo ao Brasil, os fãs pensarem que vai ser a última oportunidade de vê-lo. Agora, no caso da Madonna, é notável. Sei de pessoas que, antes de o show ser anunciado no Brasil, já tinham comprado passagem e ingressos para vê-la em Nova York.
[23:21] - 03/09/2008