Jornal do Brasil
RIO - A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Rio de Janeiro (OAB-RJ), convocará o advogado Marlan de Moraes Marinho Júnior, relacionado a uma série de casos de tráfico de influência, para prestar esclarecimentos à entidade reguladora da profissão. A informação foi dada, nesta quinta-feira, pela assessoria de imprensa da representação, independentemente da definição do Tribunal de Ética da OAB-RJ sobre a abertura de inquérito para apurar as operações de Marlan Jr. O presidente do Tribunal, Paulo Saboya, deve revelar sua posição nesta sexta-feira, conforme informou no início da semana.
Paralelamente, o Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) decidiu preparar documento pedindo explicações à reitoria sobre o caso. Estudantes questionam o trabalho acadêmico de Marlan Jr., que tem o cargo de professor-auxiliar de Direito Civil na universidade. Uma das coordenadoras gerais do DCE, Fabiane Simão, explicou que o assunto será tratado na próxima reunião do Conselho Diretor da Uerj, em setembro.
– A gente acredita que a universidade está aqui para produzir conhecimentos e formar sujeitos críticos, que atuem na sociedade de uma maneira que beneficie a todos. Se esse tráfico de influência prejudica de algum modo a formação do estudante e da universidade, o assunto passa a ser um problema nosso. A questão do tráfico de influência fora daqui é competência do Ministério Público – comentou.
Marlan Jr. está envolvido no leilão de 17 salas do Sindicato Nacional dos Aeroviários, no centro do Rio, que ele arrematou por R$ 280 mil – o valor de mercado era cerca de R$ 800 mil. Filho do desembargador Marlan de Moraes Marinho, aposentado em 2006, o advogado é irmão do juiz de Direito Marcelo Almeida de Moraes Marinho, da 24ª Vara Cível do Rio.
O juiz, irmão de Marlan Jr., bloqueou o saldo bancário de aproximadamente R$ 250 mil do Sindicato Nacional dos Aeroviários para pagamento de uma dívida de exatos R$ 24.081,34 – mais de 10 vezes do total necessário, segundo os advogados da entidade. Assim, sem o dinheiro, a sede foi a leilão em abril do ano passado.
O sindicato pediu o desbloqueio para quitar outra dívida (de R$ 163.481,89) no Condomínio do Edifício Inúbia, à Avenida Presidente Wilson, 210, 5º andar, cobrada na ação número 2005.001.007413-0/A na 48ª Vara Cível (juiz Mauro Nicolau Júnior). A entidade entrou, então, com recurso contra a arrematação das 17 salas, negado liminarmente, dia 23 de agosto do ano passado, pelo desembargador Marco Aurélio Fróes, do TJ-RJ.
– Informamos ao desembargador que o cheque do sindicato foi devolvido em razão do questionável bloqueio do dinheiro de nossa conta pelo juiz da 24ª Vara Cível – lembrou o advogado do Sindicato, Álvaro Quintão.
A representação dos aeroviários ingressou no TJ-RJ com outra ação, reafirmando seu pedido contra a confirmação do leilão. No documento dirigido ao desembargador Marco Aurélio Fróes nominou tanto o arrematante, Marlan Jr., quanto o juiz Marcelo Almeida de Moraes Marinho, ambos conhecidos de Fróes. O sindicato informou que ainda está na Justiça para receber o dinheiro bloqueado de volta.
[23:25] - 28/08/2008