Jornal do Brasil
SÃO PAULO - O Ministério Público Federal em São Paulo recebeu, nesta quinta-feira, a confirmação oficial de que o exame de DNA dos restos mortais exumados, em 1º de abril, no Cemitério de Perus, é do espanhol Miguel Sabat Nuet. Ele foi preso por uma equipe do Departamento de Operações Internas (DOI) em 9 de outubro de 1973 e apareceu morto um mês depois em sua cela. Segundo a polícia informou na época, Nuet cometido suicídio.
A procuradora da República Eugênia Fávero, que integra a área cível do MPF em São Paulo e é a responsável pelo Inquérito Civil Público que busca a identificação das vítimas da ditadura enterradas em Perus, representará aos procuradores da área criminal solicitando a abertura de investigação para apurar as circunstâncias da morte de Nuet e, se possível, identificar os autores do crime.
Contra a humanidade
Para Eugênia Fávero e o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, a investigação e a punição de crimes da Ditadura é possível sem alterar a Lei da Anistia, pois os crimes cometidos no período são crimes contra a humanidade.
Em relação a identificação de outras vítimas, o MPF fará uma nova tentativa de exumação de restos mortais que podem ser de Hiroaki Torigoe, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), do Movimento de Libertação Popular (Molipo) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ele foi preso e morto no Doi-Codi em janeiro de 1972. Relatório da Marinha informa que ele foi “morto em tiroteio com agentes de segurança”. A nova exumação será feita em outra quadra do cemitério.
O espanhol Miguel Nuet, que morreu aos 50 anos, era um vendedor de veículos que morava na Venezuela. Nuet não tinha nenhuma ligação conhecida com organizações de esquerda. Ele foi preso em 1973 por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e na sua ficha constava um “T” vermelho, que significa “terrorista”, mas nunca foi provado seu envolvimento com nenhuma organização da luta armada.
Os restos mortais de Nuet estavam no terreno 485, quadra 7, do Cemitério Dom Bosco, em Perus, zona norte de São Paulo, num setor que ficou conhecido como a vala de Perus. Com essas informações a procuradora Eugênia Fávero, emitiu ofício ao Instituto Médico Legal (IML) e à Diretoria de Cemitérios do Município de São Paulo pedindo a exumação e a posterior identificação dos restos mortais.
Após a exumação, os restos mortais ficaram sob a custódia do IML. Em julho, um fêmur e dentes foram extraídos da ossada para exame pelo laboratório Genomic Engenharia Molecular, de São Paulo. E o exame comprovou que a ossada encontrada no cemitério clandestino de Perus, em São Paulo, é mesmo de Nuet. A amostra forense foi a extraída do fêmur e a identificação positiva aconteceu a partir da comparação do DNA do osso com o resultado dos exames de DNA do sangue de um irmão, de uma filha e de um filho de Nuet, coletados em Barcelona e Caracas.
[23:23] - 28/08/2008