Luisa Girão, JB Online
RIO - Após cinco anos sem gravar material inédito, O Rappa lança um novo álbum, 7 vezes, com shows nesta quinta, sexta e sábado, no Canecão. Lobato, baterista da banda, conversou com o JB Online sobre este novo trabalho e sobre o sucesso da banda.
- Antigamente pedíamos para o produtor arrumar shows para banda. Se desse um dinheirinho para pagar quem trabalha com a gente, tava bom. Somos uma banda de palco. Foi esta coisa do show que nos alavancou – conta Lobato.
O Rappa surgiu como integrante da Hemp Family, movimento de bandas cariocas da década de 90, que também integravam o Planet Hemp, Black Alien e Funk Fuckers. As outras três bandas acabaram, mas O Rappa continua com quase a mesma formação - somente Marcelo Yuka não está mais no grupo.
Segundo Lobato, o segredo para estarem unidos tanto tempo é a diversidade que a banda tem. Eles procuram sempre trabalhar com pessoas amigas ou que tenham afinidade, pois, para ele, não adianta ser um cara talentoso, se a energia não é muito boa. Além disto, cada um tem seu espaço e a sua liberdade. Isto dá maturidade ao grupo.
- A gente nunca vestiu esta coisa glamurosa da banda. Sabemos que a coisa é mais dura. Na estrada, já passamos por provas de força. Tem que ter sapiência para saber os limites de cada um e aceitar as diferenças - diz o baterista.
Sobre uma possível carreira solo de algum integrante, Lobato diz que não se incomoda e entende que é uma necessidade do músico. Ele acha isso uma coisa bem saudável, mas afirma que gosta de trabalhar em grupo, pois as responsabilidades são divididas por todos.
- Em uma banda rola uma democracia. A gente até tem uma brincadeira com esta coisa de carreira solo: quando alguém vai mostrar uma coisa que achou legal, mas que não agradou muito ao resto, a gente fala: guarda para seu disco solo'- brinca Lobato.
- Na hora que a banda quiser dar um tempo ou até mesmo acabar, a gente vai. Mas não é isto que está acontecendo não - garantiu Lobato.

O Rappa (da esquerda para direita: Xandão, Falcão, Lobato e Lauro)
Novo trabalho
Passaram-se cinco anos do último trabalho inédito do Rappa O silêncio que precede o esporro. Depois de mais de dois anos excursionando com o 'Silêncio', o grupo aceitou o convite para participar do Acústico MTV. Eles pensaram que este projeto duraria de seis a sete meses, mas como as músicas foram rearranjadas e foram usados instrumentos diferentes, eles fizeram uma turnê de quase dois anos.
- Não temos esta pressão de gravar um disco por ano. Por exemplo, quando estávamos gravando Lado B Lado A, Peter Gabriel (ex-cantor do Genesis) estava gravando no mesmo estúdio que a gente. Ele demorou oito anos para lançar o CD OVO(lançado em 2000). Noção do tempo para a gente é diferente. Emendamos uma turnê na outra. Chega um momento que queremos fazer coisas novas, até porque todos nós compomos - disse Lobato.
No show que estréia nesta quinta-feira, O Rappa vem com um cenário novo, mas continua investindo em conteúdo no telão como grafites, etc. O foco vai ser no repertório novo, mas vai ter um apanhado de músicas antigas. Por outro lado, o grupo continua com as antigas características como o engajamento social. O clipe da música Monstro Invisível, por exemplo, foi produzido pelo 'Nós no Cinema'.
- O bom de ter várias músicas é que você pode ir mudando. O show que vai ser apresentando nesta quinta, não vai ser o mesmo que o daqui a dois meses. A gente vai sacando o que toca mais o público e assim, não fica chato - concluiu Lobato.
Serviço
Canecão(Av. Venceslau Brás 215, Botafogo - Tel: 2105.2000)
Quinta, sexta e sábado, às 21h30
[11:12] - 28/08/2008