Jornal do Brasil
RIO - O advogado Marlan de Moraes Marinho Jr., que arrematou a sede de 17 salas do Sindicato Nacional dos Aeroviários num processo característico de tráfico de influência, tem também um histórico de problemas com alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde ocupa o cargo de professor-auxiliar de Direito Civil.
No primeiro semestre deste ano, ficou à disposição da reitoria da Uerj, segundo o reitor Ricardo Vieralves de Castro, para o que ele chamou de “consolidação de legislação”. A atuação de Marlan Jr. na universidade já foi alvo, nos últimos anos, de duas campanhas “Fora Marlan”, lideradas pelo corpo estudantil.
É grande o número de alunos e ex-alunos de Direito que procuraram o JB para protestar contra o desempenho e os métodos de Marlan Jr. na universidade. Todos preferem o anonimato, com medo de retaliação. Como resultado de protestos contra sua prática acadêmica, Marlan Jr. já chegou a ser afastado das aulas em razão de um processo administrativo.
Mesmo assim, então, causou estranheza o fato de ser mantido na assessoria da Reitoria, o que consegue há várias gestões, mesmo com a existência de corpo jurídico próprio para atender a universidade.
Estudantes fizeram abaixo-assinados, houve muita reclamação pela postura arrogante dele e de suas práticas de sala de aula, como registra o jornal do Centro Acadêmico Luiz Carpenter.
Ainda está disponível na Internet troca de e-mails de estudantes sobre a atuação de Marlan Jr. na Uerj, envolvido em disputas políticas internas da administração da universidade.
– Como aluno dele, nossa turma foi testemunha de uma confissão pública quanto ao seu modus operandi como advogado (...) – lembra um ex-aluno.
Outro explica que é pública e notória na universidade, entre estudantes de Direito e professores, a característica de tráfico de influência de Marlan Jr.
– Ele diz aos alunos que prefere escolher estagiários pelo parentesco com juízes e desembargadores, não pela competência. “Quando tenho de despachar com um deles”, diz, “levo o estagiário parente”. – Conta aos estudantes também que é filho de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e que, assim, conhece magistrados desde criança.
Ex-aluno, agora advogado, destaca que há pessoas na Faculdade de Direito que aceitam suas práticas.
– Só não dá para entender como ele, professor com carga horária de 40 horas semanais, pode dar atendimento a tantos processos, envolver-se com tantos casos.
[23:29] - 27/08/2008