CULTURA

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'Se eu puder, vou ver o show da Madonna', diz Martinho da Vila

Leandro Souto Maior, JB Online

RIO - Devagar, devagarinho não são adjetivos que se aplicam a Martinho da Vila. Ele está a mil por hora. O sambista faz show nesta sexta e sábado, no Vivo Rio, lança o CD e DVD Pequeno burguês no próximo mês, lançou o livro infantil A rosa vermelha e o cravo branco na bienal de São Paulo, prepara um documentário sobre sua carreira e no ano que vem vai fazer uma turnê por países de língua portuguesa para virar um filme.

- Na verdade, o documentário era para sair junto com esse DVD Pequeno burguês, mas atrasou um monte de coisas, até o diretor morreu no meio do caminho, e acabou ficando para janeiro – conta Martinho.

O show registrado em Pequeno burguês traz um novo formato nunca antes experimentado pelo músico, como se fosse uma reunião de amigos em uma sala, em volta de uma grande mesa, "bebendo umas coisinhas".

- Já fiz diversas reuniões em volta de mesa, assim com amigos, mas nunca preparei um grande show desse jeito – revela. – No meu último aniversário, quando completei 70 anos, recebi Paulinho da Viola, Luiz Carlos da Vila e vários outros feras em uma festa. Estava tudo sendo registrado para o filme, mas esse momento da roda de samba não foi filmado porque foi no final e o pessoal do documentário já tinha ido embora. Vai ficar só nas nossas lembranças – lamenta.

Martinho conta que está sempre buscando realizar um projeto diferente.

- O público está sempre em busca de uma coisa nova, então o artista tem que estar sempre se renovando. Aqui no Brasil temos apenas um fenômeno, que é o Roberto Carlos, que continua sempre fazendo a mesma coisa e nunca deixa de fazer sucesso. Mas Roberto Carlos só tem um. Nem o Erasmo conseguiu o mesmo feito – compara.

Um dos projetos mais ambiciosos de sua carreira será o filme Coração africano, de Izabel Jaguaribe, mesma diretora do documentário Meu tempo é hoje, sobre Paulinho da Viola.

- Será um filme sobre lusofonia. Vamos passear por oito países de língua portuguesa: Portugal, Timor Leste, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Brasil. Será um encontro com a música e a cultura de cada país – adianta.


Foto: Ana Paula Amorim

”Não recomendo a música como profissão”

Martinho da Vila é pai da pequena Alegria, de oito anos, mas diz que não gosta de incentivar seus filhos para a carreira artística.

- Ninguém deve incentivar seus filhos a ter a arte como profissão. Todos devem desenvolver a arte de uma maneira natural. Se alguém tem um filho e diz: 'esse aqui vai ser escritor', por exemplo, provavelmente não vai dar certo. Não recomendo a música como profissão – diz o pai de Mart'nália, que também está lançando um novo CD este mês.

Apesar da pequena Alegria, não foi ela quem o inspirou a escrever o livro infantil A rosa vermelha e o cravo branco, que acaba de ser lançado. Em 1986, Martinho já havia ensaiado um livro para crianças, Vamos brincar de política.

- Ficou muito sério! – assume. – Este agora é realmente o meu primeiro livro infantil, que é uma atualização de canções clássicas que na verdade assustam muito as crianças. 'Atirei o pau no gato', 'Boi da cara preta', 'O cravo brigou com a rosa', todas tratam de desgraças! Daí eu fui mudando as letras e agora elas não assustam mais! – diverte-se o cantor.

Mesmo com tantos trabalhos, Martinho da Vila ainda pretende assistir a popstar Madonna no Maracanã, em dezembro.

- Sua música nunca me atraiu, mas deve ser um show muito bom de se ver. Não tem como não gostar do show dela, com um visual fantástico, muita tecnologia, aquele balé, tudo de primeira. Se eu puder, eu vou ver o show da Madonna! - garante.

Martinho da Vila comenta foto histórica do Jornal do Brasil

[22:07] - 26/08/2008

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