Agência ANSA
MONTEVIDÉU - O projeto de lei que, entre outros pontos, pode descriminalizar a prática do aborto no Uruguai será votado nos próximos dias na Câmara dos Deputados, mas as chances de que seja colocado inteiramente em vigência são pequenas.
Isso porque o presidente Tabaré Vázquez já disse que irá vetá-lo, o que pode forçar a realização de um plebiscito ou até postergar sua implementação para o mandato do próximo presidente.
A iniciativa, motivo de debates no Uruguai há mais de um ano, passou pelo Senado em novembro do ano passado e segue agora para a Câmara, onde precisa da maioria simples dos votos para ser ratificada, o que deve ocorrer mesmo com a oposição de Vázquez.
O presidente, que é médico, garantiu que vetará pelo menos o capítulo que prevê que 'toda mulher tem direito a decidir sobre a interrupção da gravidez durante as 12 primeiras semanas'.
Segundo um dos artigos deste capítulo, para que o aborto deixe de ser crime, basta que a mulher alegue ao médico que sua gravidez ocorreu em circunstâncias específicas, como 'situações de penúria econômica, social, familiar ou etária'.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, Luis Gallo, que também é médico, disse que, mesmo vetado, o projeto contém um 'primeiro capítulo transcendente e muito valioso, com políticas de saúde reprodutiva, sexual, maternidade e paternidade responsável, assim como programas de prevenção à gravidez'.
- Tudo colabora para que não haja abortos, e sim apenas gestações desejadas - disse ele. - Somente isso já vale o tempo gasto com a discussão e a aprovação do projeto, mesmo que o presidente vete o tema do aborto - concluiu.
[11:53] - 25/08/2008