Jornal do Brasil
MOSCOU - A Rússia disse nesta sexta-feira que completou a retirada de suas tropas da Geórgia. No entanto, Estados Unidos, Alemanha e França afirmam não haver sinais claros de uma desocupação substancial.
John Craddock, chefe das forças americanas na Europa, disse que a atual retirada, depois de confrontos que mataram centenas de pessoas, é “pouco demais, lenta demais”.
O atual conflito começou em 7 de agosto, quando a Geórgia enviou tropas para tentar recuperar o controle da Ossétia do Sul, uma região separatista e de etnia diversa que desde 1992 goza de autonomia sob a proteção de Moscou.
A Rússia reagiu no dia 19, enviando tropas que expulsaram as forças rivais e ocuparam partes da Geórgia.
Cumprindo um acordo mediado pela França, Moscou prometeu completar a desocupação até esta sexta. Mas de manhã a Alemanha já alertava:
– Não está claro que uma retirada substancial esteja acontecendo.
O secretário do Conselho de Segurança Nacional da Geórgia, Kakha Lomaia, disse que as tropas russas já deixaram Gori, no centro da Geórgia, e estão desocupando os arredores.
Mas perto de Poti, a cerca de 200 km da principal zona de conflito, um fotógrafo presenciou soldados russos abrindo uma trincheira num posto de controle.
Os EUA consideram a desocupação de Poti um teste para o real compromisso de Moscou com o plano francês de paz.
Citando um acordo de 1999, a Rússia deixa clara sua intenção de manter uma “força de paz” substancial numa zona vizinha a Ossétia e a Abkházia, outra região separatista georgiana.
A Geórgia diz que isso viola o acordo mais recente que encerrou o confronto. Tbilisi teme que Moscou controle suas ferrovias e estradas, sufocando a economia georgiana.
Lomaia afirma ter recebido do comando militar russo a promessa de desativar os postos de controle montados na principal rodovia Leste-Oeste da Geórgia.
Mas, na localidade de Shaveshebi, próxima a Gori, ondula uma bandeira das forças de paz russas.
Os militares russos disseram que essa presença militar na zona-tampão entre Ossétia do Sul e a Geórgia também será permanente.
[02:08] - 23/08/2008