Jornal do Brasil
WASHINGTON - Alguém independente, preparado para ser presidente, que poderá ajudar Barack Obama a fortalecer a economia e também questioná-lo quando necessário. Este é o perfil do vice-presidente democrata que terá seu nome anunciado neste sábado à tarde, durante um evento em Illinois, às vésperas da Convenção Democrata que começa segunda-feira, em Denver (Colorado), e deverá oficializar a candidatura de sua chapa até a quinta-feira. O prolongamento do suspense sobre o vice nunca foi tão longo, observou nesta sexta-feira o Washington Post.
As especulações dão conta de que o vice seja Joe Biden, 65 anos, o maior especialista democrata em política externa no Senado. A lógica da escolha seria compensar a inexperiência de Obama em temas internacionais que, em comparação com o republicano John McCain, vem custando pontos aos democratas em pesquisas de intenção de voto. Biden é adepto de fazer o que Obama aparentemente reluta: atacar o rival republicano.
Candidatos
Na fileira de postulantes a vice também figuram os governadores Tim Kaine, da Virgínia (estado crucial na perspectiva da eleição presidencial) e Kathleen Sebelius, do Kansas, além do senador Evan Bayh, de Indiana, especialista em questões de segurança nacional.
Outra mulher, a senadora Hillary Clinton, que concorreu nas primárias com Obama, corre por fora. Além de as rusgas com Bill Clinton, que nunca escondeu a opinião de que Obama não está preparado para ser presidente, Hillary não se encaixa na descrição de “independente”.
A maioria dos candidatos tentou permanecer longe dos holofotes.
– Esta é uma decisão dele e espero que assim o faça da maneira como melhor se sentir – declarou Hillary, ex-rival democrata de Obama.
Em entrevista nesta sexta-feira ao programa The Early Show, da rede de televisão CBS, Obama revelou seus critérios para a escolha:
– Obviamente, a pergunta mais importante é: esta pessoa está pronta para ser presidente? A segunda, pelo menos de minha perspectiva, é: esta pessoa pode me ajudar a governar? Esta pessoa será um colaborador eficaz para a criação de oportunidades econômicas aqui, no país, e para nos guiar em algumas situações internacionais perigosas? Finalmente, quero alguém que seja capaz de me questionar, que não diga simplesmente sim para tudo em relação a medidas de governo.
A campanha de Obama prometeu avisar os partidários do senador de Illinois por e-mail ou torpedo “quando for o momento”. E reservou para sábado o Old State Capitol, em Springfield (Illinois) – edifício histórico onde o ex-presidente Abraham Lincoln, que acabou com a escravidão, serviu como senador.
Enquanto a mídia e as equipes de campanha esperavam um anúncio surpresa de Obama, o candidato democrata foi à academia de ginástica e preparou-se para seu mais importante discurso de aceitação em Denver, na quinta-feira.
Expectativa
A história ensina que a escolha do parceiro de chapa não deve afetar de forma decisiva a eleição presidencial, que ocorre no dia 4 de novembro. Mas somada às convenções partidárias, essas escolhas darão a Obama e a seu adversário do Partido Republicano, John McCain, uma maior exposição.
A campanha de Obama assumiu o clima de expectativa e divulgou um memorando da estrategista Sarah Simmons prevendo um salto de 15 pontos percentuais de Obama na corrida presidencial após o anúncio do vice. A marca se igualaria a da Convenção de 1992, quando Bill Clinton ganhou 16 pontos percentuais.
[01:59] - 23/08/2008