ECONOMIA

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Apimec teme que outra estatal afete valor da Petrobras

SÃO PAULO, 21 de agosto de 2008 - A criação de uma estatal para cuidar da camada do pré-sal poderia ter desdobramentos sobre o mercado de capitais e sobre os investidores de maneira geral, afirmou na última quarta-feira a presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de São Paulo (Apimec/SP), Lucy Sousa. O tema será debatido no 20º Congresso Apimec 2008, que começou na noite de ontem, no Rio de Janeiro, e tem encerramento previsto para a próxima sexta-feira.

"A gente fica preocupado que haja uma injusta quebra de contrato ou uma quebra de expectativas em relação aos fundamentos que têm levado analistas a fazer recomendação de investimento em papéis da Petrobrás", disse Lucy. A preocupação, em resumo, refere-se à perda de valor da Petrobras, também expressada pelo presidente da Apimec Nacional, Álvaro Bandeira. Ele disse ser contrário à criação de uma estatal para tratar das novas descobertas de petróleo na camada do pré-sal.

Segundo Bandeira, a criação da estatal poderia afetar os 1,3 milhão de acionistas da Petrobras. "O governo, no passado, estimulou o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra de ações e a criação de fundos específicos da Petrobrás. E, certamente, os investidores seriam os mais prejudicados nisso", afirmou.

A Apimec espera que o governo federal reveja a intenção de criar a estatal. "A Petrobrás tem uma história de sucesso e, mais do que estatal, ela é uma empresa dos brasileiros. E o seu capital está disperso hoje entre muitos investidores, inclusive trabalhadores que usaram seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)", destacou a dirigente Lucy Sousa. Na última quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no Ceará, que o governo ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.

Segundo Lucy, o governo teria outras alternativas para se apropriar do valor do pré-sal, sem que fosse necessário fazer uma nova empresa. Ela entende que o posicionamento das autoridades federais sobre a matéria tem fundamentos estratégicos, "mas acho que dá para fazer uma engenharia, não mudando as regras do jogo e não esvaziando a Petrobrás".

A presidente da Apimec São Paulo avaliou que o valor de mercado da Petrobrás poderá ser afetado por essa discussão sobre o pré-sal. A estatal apresentou a maior perda de valor de mercado na América Latina entre maio e agosto deste ano, em torno de US$ 97 bilhões, de acordo com recente estudo da consultoria financeira Economática. Isso ocorreu, apontou Lucy, muito em função da volatilidade do preço do petróleo no mercado externo e também pela saída de investidores estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

"A percepção é que a nova estatal para o pré-sal poderá contribuir para esvaziar um pouco mais o valor da Petrobrás", disse Lucy. Os analistas de investimento, assinalou, não olham apenas para o lucro no ano corrente, quando avaliam uma empresa. Eles, acrescentou ela, enxergam para a frente, fazendo fluxo de caixa para os próximos anos, pensando no que se chama no mercado de perpetuidade. "E na perspectiva de dez anos ou na perpetuidade o pré-sal estava na avaliação da Petrobrás. Por isso, uma coisa já no futuro impacta no preço presente", afirmou.

Lucy defende que seja feita uma engenharia para a exploração do pré-sal, mas opinou que o governo deveria "deixar as coisas como estão", referindo-se à Petrobras. Já o presidente da Apimec Nacional acredita que o governo não fará algo que afete os investidores da Petrobras. "O governo tem sabido lidar com a coisa pública e com os marcos regulatórios", avaliou.

Para Bandeira, a declaração de Lula de que ainda não foi tomada nenhuma decisão a respeito do pré-sal tranqüiliza analistas e acionistas. Mas, caso a estatal seja realmente criada, o presidente da entidade acredita que a medida poderá gerar uma briga na Justiça. Ele, no entanto, afirmou que é prematuro falar sobre isso.

As informações são da Agência Brasil.

(Redação - InvestNews)

[01:15] - 21/08/2008