Leandro Souto Maior, JB Online
RIO - Nem “oi” Caetano Veloso disse ao entrar no palco com sua banda para a gravação do DVD Obra em progresso, na noite desta terça-feira, no Leblon. Aplaudido, sem falar uma palavra, puxou um rock de deixar toda a produção atual do gênero no chinelo. Só depois liberou um “boa noite, muito obrigado”, anunciou o nome da música - Lobão tem razão -, e aproveitou o gancho para alfinetar a matéria de capa do Caderno B, que traz uma entrevista com ninguém menos que o próprio Lobão, homenageado na letra da canção de abertura.
- A manchete da reportagem diz: 'Estou de saco cheio da Zona Sul do Rio'. Eu pensei: “tô ferrado, vou estrear hoje justamente na Zona Sul do Rio, e o nome da primeira música do show é Lobão tem razão”! – ironiza. – Na verdade, não dou razão a qualquer coisa que ele diz não, mas eu gosto do Lobão – completa, deixando a impressão de quem diz 'o Lobão é maluco, mas é bonzinho'.

Foto: Ana Paula Amorim
A apresentação não poderia seguir melhor: You don't know me, um clássico 'Lado B' de sua carreira. Destaque no novo arranjo desta canção é o guitarrista Pedro Sá forjando o contracanto de Gal Costa da versão original. Caetano está cantando demais, com a mesma voz como há trinta anos atrás. De óculos de leitura e cabelos brancos, o 'vovô' está dando uma aula de rock com seu power trio, formado ainda por Marcelo Callado na bateria e Riardo Dias Gomes no baixo e teclado. O músicos soavam ora como os solos de microfonia de Jimi Hendrix, ora como as marcações rítmicas do grupo King Crimson, mas ao mesmo tempo muito moderno. A apresentação era minimalista, sem cenário, figurino ou coreografia.

Foto: Ana Paula Amorim
Desde que o samba é samba também ganha nova roupagem. Mais uma vez o destaque é a guitarra, com um ritmo frenético feito com o clássico pedal wah-wah. As novas composições são bem na onda de seu mais recente álbum de estúdio, Cê, mas – pelo menos em uma primeira análise - não como uma evolução, e mais como um complemento.
Entre as releituras, vale citar Incompatibilidade de gênios, de João Bosco e Aldir Blanc, e Saudade fez um samba em seu lugar, de Carlos Lyra. Na primeira, a base da banda parecia uma fita tocando rapidamente de trás para a frente.
- O nosso negócio é bem assim: escolhemos um aspecto do ritmo e destacamos bem – explica Caetano, à sua maneira.

Foto: Ana Paula Amorim
No novo repertório, ele ainda nos presenteia com canções com potencial para se tornarem clássicas, como Água, do músico e produtor Kassin (“Uma das melhores músicas que surgiram nos últimos tempos”, diz) e Lapa, que lembrou uma antiga composição sua, Pássaro proibido.
A estréia contou ainda com os sucessos Nosso estranho amor, Leãozinho e Homem. Caetano mencionaria ainda mais duas vezes a matéria do Jornal do Brasil antes de chamar as participações especiais de Jorge Mautner e Nelson Jacobina para os números finais. E foi assim a primeira noite de gravação do DVD Obra em progresso de Caetano Veloso, no Oi Casa Grande.
Leia a entrevista de Lobão para o JB clicando aqui
[02:38] - 20/08/2008