ECONOMIA

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Evento sobre comércio solidário reúne cerca de 500 no Rio

Ludmilla Totinick, Jornal do Brasil

RIO - O I Encontro Internacional de Comércio Justo e Solidário, que termina hoje no Museu de Arte Moderna (MAM), deve fechar negócios em torno de R$ 1 milhão. O evento, promovido pelo Sebrae-RJ, reúne estandes de 10 Estados e 100 grupos de produtores, com mercadorias bem variadas – desde produtos agrícolas a artesanato.

O principal objetivo do comércio justo e solidário é garantir qualidade de vida e perspectiva de futuro a empreendedores, por meio de comércio em condições legítimas. Não é permitido trabalho escravo e infantil, estabelece contato direto entre comprador e produtor, garante a preservação da saúde e do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da comunidade.

Thomas Favennec, sócio da marca Tudo Bom?, produziu 40 mil peças de roupas no país em 2007 para vender na França e outros países da Europa. Faturou 500 mil euros. Parte do processo da produção é realizado no Paraná, como o tecido. O corte e costura por um grupo de 20 costureiras fica em Petrópolis.

– Nos preocupamos com o consumo ecológico e lutamos por melhorias sociais e preços justos – esclareceu Thomas.

O Estado do Rio tem 30 grupos, cerca de 300 pessoas, que recebem treinamento do Sebrae-RJ desde o início do ano. No Brasil são 31 operadoras certificadas pela entidade internacional Fair Trade Labelling Organisations. No mundo, o comércio cresceu nos últimos cincos anos mais de 20% ao ano.

O diretor superintendente do Sebrae-RJ, Sergio Malta, acredita que o setor tem grande potencial de crescimento.

– A expectativa é dobrar o número de produtores no próximo encontro. Além disso, queremos disseminar a experiência, por isso convidamos especialistas nacionais e internacionais para debater os rumos e crescimento do segmento no Brasil e no mundo – aposta Malta. – É importante que haja amadurecimento comercial para que os produtores comercializem as mercadorias no grande varejo.

Malta informou ainda que as cooperativas ligadas à produção de agronegócios e de acessórios poderão entrar em contato com o Sebrae -RJ para começar treinamento sobre o segmento de comércio justo e solidário. Segundo ele, cinco cooperativas no país certificam os produtores. A certificação pode levar até três anos.

A expositora Anita Muxfeldt, do grupo Jóias do Pantanal de Campo Grande, formado por nove pessoas, disse que a certificação é muito importante, pois há preocupação com a qualidade dos produtos que são oferecidos ao consumidor.

Para Antonio Haroldo Mendonça, secretário nacional de Economia Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho, o encontro é uma oportunidade de fortalecer um movimento que na Europa tem 60 anos e no país só tem oito.

[01:23] - 20/08/2008