Janaína Linhares, Jornal do Brasil
RIO - Baiano de nascença, mas carioca de coração, o cantor e compositor Dorival Caymmi chegou à antiga capital do Brasil no dia 4 de abril de 1938. Autor de sucessos como Marina, Maracangalha e A Jangada voltou só, agora ele será imortalizado não apenas nas listas musicais, mas na própria cidade do Rio de Janeiro. O cantor e compositor morreu no último sábado, em seu apartamento de Copacabana. Na manhã desta terça-feira, o prefeito Cesar Maia cumpriu com o que já havia declarado no dia do velório do artista e decretou que uma rua no bairro do Leblon, Zona Sul do Rio, receberá o nome de Doviral Caymmi.
– A família fica honradíssima com a iniciativa do prefeito. Meu avô passou a vida inteira no Rio e ver todo este carinho, além da possibilidade dele virar endereço na cidade que tanto amou é muito bom – disse a neta do cantor Stella Caymmi. – A homenagem é uma alegria e ao mesmo tempo um conforto, um calor para nossos corações.
Com apenas 38 metros de extensão, a rua, que fica nos fundos do 23° BPM e é perpendicular a Avenida Visconde de Albuquerque, não tinha denominação e era identificada apenas como Rua B, desta forma, não haverá processo como nos casos de mudança de nome. Ainda sem a placa com o nome do cantor, a Secretaria Municipal de Urbanismo informou que é responsável pela colocação da placa e que a mudança será incluída nos relatórios enviados periodicamente aos Correios com a listagem nominal das novas ruas reconhecidas. Moradores do bairro se sentem honrados com a escolha do local para a homenagem.
– É bom ver que pessoas importantes para a cultura brasileira são reconhecidas e devidamente homenageadas – afirmou a estudante Luiza Salles. – Sem dúvidas Caymmi é um grande representante do bairro.
O mar e Vinícius
Morador do Rio de Janeiro desde os 24 anos, Caymmi fixou residência em três bairros da cidade: Grajaú, Copacabana e Leblon. No último, onde está sendo homenageado, o cantor morou em diversos endereços, entre eles as ruas Dias Ferreira e Bartolomeu Mitre.
– O Leblon foi o primeiro bairro perto do mar que meu avô morou com a família. Alí ele convivia com Vinícius de Moraes, Antônio Maria e Tônia Carrero. Eles adoravam ir a praia e conversar em barzinhos.
Por e-mail o prefeito Cesar Maia declarou que “a última rua do Leblon sem nominação foi guardada para uma homenagem muito especial” e destacou que “a memória é o alicerce do presente e do futuro”. Ainda em homenagem ao cantor, Cesar Maia decretou luto oficial na cidade por três dias.
[01:12] - 20/08/2008