Jornal do Brasil
RIO - Para muita gente, a campanha eleitoral começa de fato na próxima terça-feira, quando os candidatos a vereador e prefeito passam a ocupar duas vezes ao dia – fora as inserções avulsas durante a programação – as redes de TV aberta e as emissoras de rádio.
Cientes de que a exposição na mídia eletrônica pode mudar o quadro de intenções de voto mostrado nas últimas pesquisas, os candidatos e seus marqueteiros prepararam suas estratégias.
– Todos esperam um horário eleitoral muito chato, vamos tentar não ser. Quero mostrar as propostas em termos visuais – antecipa Fernando Gabeira (PV), conhecido pela criatividade em suas campanhas anteriores.
O líder das pesquisas, Marcelo Crivella (PRB) se manterá fiel a seu estilo estudado de fazer campanha. Ele encomendou uma pesquisa em que uma série de mensagens foi transmitida a pessoas de várias idades e classes sociais, que contaram depois o que entenderam.
– Comunicação não é o que se diz, mas o que as pessoas entendem – justifica o senador, que sugeriu a inclusão de temas como planejamento familiar no programa.
Para Eduardo Paes (PMDB), o horário eleitoral será mais uma oportunidade de mostrar ao eleitor quem ele é.
– Tenho mais tempo, vou contar a minha história política e falar dos meus projetos. É um espaço importante e decisivo na eleição – avalia.
Candidata apoiada pelo prefeito Cesar Maia, Solange Amaral (DEM) quer compensar a falta de propaganda da prefeitura na Tv para divulgar as realizações do atual alcaide, muitas delas em parceria com ela própria, ex-secretária de habitação e ex-subprefeita da Zona Sul:
– Não reclamo de ser vidraça nesta eleição, mas vou mostrar que nem tudo de ruim que acontece na cidade é culpa da prefeitura – conta ela. – A TV é importante, porque mais de 30% ainda não escolheram o candidato.
Colado com Lula
Apostando no fator surpresa, Alessandro Molon (PT) vai colar sua imagem à do presidente Lula.
– Vamos mostrar que o PT tem um candidato no Rio. Com certeza, a TV vai mudar todo esse cenário eleitoral – garante Molon, que credita sua baixa popularidade nas pesquisas ao desconhecimento do eleitor. – Nunca disputei eleição majoritária, sou o menos conhecido entre todos.
Enquanto o petista exibirá depoimentos dos ministros Tarso Genro (Justiça), Carlos Minc (Meio Ambiente), entre outros, o candidato do PSOL, Chico Alencar, vai cortar um dobrado para dar seu recado em 57 segundos.
– Às vezes, o candidato tem cinco minutos e nada a dizer. O programa acaba ficando enfadonho. O meu vai encantar os eleitores – aposta.
Paulo Ramos (PDT) pretende dar ênfase à história de seu partido e à sua própria.
– Nós temos o que mostrar. Como dizia Leonel Brizola (1922-2004, ex-presidente nacional do partido), viemos de longe.
Adepta do fator surpresa, Jandira Feghali (PCdoB) preferiu não adiantar nada sobre seu programa.
[07:12] - 17/08/2008