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RIO - "As belas adormecidas" é a segunda parte de uma trilogia que começou com a peça "Else", sobre o universo feminino, mais precisamente sobre a sexualidade feminina. Com direção de José Luiz Jr. e dramaturgia de Eduardo Nunes e Daniel Tendler, o espetáculo faz um jogo direto com o público, levando-o a um universo um tanto sedutor e ao mesmo tempo estranho.
Com produção da Cia. Akrópolis de Arte e co-produção da Cavídeo, a peça apresenta quatro atrizes e dezenas de personagens fragmentados em sonhos, memórias, histórias e sensações.
Não se trata de um painel de histórias ou depoimentos, tampouco uma peça denúncia. Toda a dramaturgia foi construída a partir de exercícios criados pelas atrizes, que mergulharam com coragem num universo extremamente delicado e espinhoso.
Os textos incluem fragmentos e inspirações de Clarice Lispector, Charles Bukowski, Jack Kerouac, Honoré de Balzac, Dostoievski, além de depoimentos e entrevistas com profissionais do sexo, sempre processados pelas atrizes, reprocessados pelos dramaturgos e, então, transformados no que apresentamos no espetáculo.
Muitos mais do que o texto em si, buscamos impressões/sensações nesses autores, assim como todas as pessoas que passaram "pelas Belas" nos últimos dois anos, que foram fundamentais para a existência da peça", conta o diretor José Luiz Jr.
A Cia Akrópolis de Arte se formou em 2004, no Rio de Janeiro, a partir de um treinamento técnico para atores ministrado pelo diretor José Luiz Junior e pela atriz Simone Vianna, há 12 anos integrante do Armazém Companhia de Teatro.
Durante esses dois anos a Companhia mergulhou fundo no que diz respeito à arte do ator, focando principalmente na busca da superação dos limites corporais e na abertura de novas possibilidades de expressão no espaço, tendo como base métodos de trabalhos do diretor polonês Jerzy Grotowski. Como resultado desta pesquisa foi apresentado, em novembro de 2004, "Corações Partidos", um esquete que tinha como foco principal a investigação sobre o universo feminino.
No palco, nove mulheres interligadas simultaneamente por situações cotidianas demonstravam suas fragilidades e a necessidade de suprir suas ansiedades com os mais atuais sonhos de consumo e modismo.
Com um resultado um tanto vigoroso, o grupo decidiu dar continuidade ao aprofundamento de sua pesquisa, realizando em Agosto de 2005 o espetáculo "Else", uma adaptação do romance "Senhorita Else" de Arthur Schnitzler, que teve mais uma vez como foco central o universo feminino, mais precisamente o processo psicológico de uma adolescente.
O espetáculo fez sucesso junto ao público, lotando durante dois meses de temporada o Espaço Cultural Sergio porto, sendo indicado em sua primeira montagem no Rio de Janeiro, ao premio Shell de 2005, na categoria figurino.
A companhia em seus novos trabalhos tem como desafio uma investigação constantemente dinâmica, fazendo com que tanto a pesquisa temática quanto a formal não seja vista como um fim em si mesmo, mas sim decorrência do momento vivido pela companhia.
A cada nova montagem, as próprias questões (de interpretação, estéticas, éticas, filosóficas ou de comunicação popular) não profundamente resolvidas nas pesquisas anteriores se encarregam de propor novos materiais a serem visitados em futuras montagens.
A investigação e o aprofundamento da pesquisa teatral fazem parte da pequena história da Cia Akrópolis de Arte, que desde sua fundação ainda em São Paulo, tem como prioridade um trabalho de continuidade, levando sempre ao público não só o espetáculo pronto, como também a pesquisa em andamento, com o intuito de fomentar o debate em relação ao processo teatral. Com o novo projeto de espetáculo "Belas Adormecidas" a Companhia Akrópolis pretende aprofundar sua investigação sobre o universo feminino, uma vez que o núcleo central de criação é constituído basicamente por atrizes.
A partir de uma pesquisa de campo realizada em 2005, a companhia investigou durante dois meses o universo da prostituição, tais como sex shop, casas de strip-tease, Vila Mimosa, Avenida Atlântica e outros pontos, possibilitando a extração de um material muito rico, que vai desde fitas cassetes com depoimentos dessas mulheres até uma pesquisa histórica das "prostitutas sagradas", levando o elenco a um contato direto com a intimidade, os sonhos e as fraquezas dessas mulheres.
Além dessa pesquisa no universo da prostituição, a companhia buscou informações sobre a exploração sexual infantil, e ainda a relação da mídia com a exposição do corpo.
Após a reunião de um material tão vasto sobre o tema da prostituição o objetivo do grupo passou a ser transpor este conteúdo para a cena. A idéia é construir uma escrita cênica a partir de improvisações das atrizes. Todo o processo foi acompanhado pelo dramaturgo do grupo, que a partir do que foi trazido de idéias cênicas, costurou as situações e ações construindo uma unidade, um produto fruto destas experimentações, realizando assim uma narrativa autoral.
Serviço:
Sede da Companhia dos Atores
Rua Manoel Carneiro, N° 10 e 12 – Lapa
De 15 de agosto a 08 de setembro
Sexta a segunda, às 20h
Ingressos: R$ 10
Reservas: (21) 9971-7231 (40 lugares)
Recomendado para maiores de 18 anos
[18:54] - 15/08/2008