RIO

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Passeata dos servidores do Estado para Rua das Laranjeiras

Raphael Lima, Jornal do Brasil

RIO - Uma manifestação realizada por servidores públicos estaduais parou o trânsito na Zona Sul durante a tarde desta quarta-feira. As principais reivindicações eram melhoria do atendimento à população, concurso público imediato, não implantação das fundações no serviço público e reajuste de 66% nos salários.

O movimento foi coordenado pelo Fórum Estadual em Defesa do Serviço Público e Contra as Fundações de Direito Privado, do qual fazem parte médicos, professores, enfermeiros, servidores de justiça, policiais civis, entre outros.

Eles se reuniram no Largo do Machado, Zona Sul, e seguiram para o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, mas no meio do caminho, já na rua Pinheiro Machado foram impedidos por policiais militares de seguirem em frente. Os manifestantes se sentaram no chão impedindo a passagem dos carros.

Catete, Laranjeiras, praia de Botafogo ficaram com o trânsito parado durante 40 minutos. O túnel Santa Bárbara, que liga o Catumbi à Laranjeiras chegou a ser interditado nos dois sentidos.

Por volta de 13h30 eles foram liberados a seguir para o Palácio acompanhados de policiais militares do Batalhão de Choque e de Botafogo, além de Guardas Municipais. O objetivo dos servidores era protestar diretamente ao governado Sergio Cabral, que não os recebeu.

Os manifestantes após esperarem mais de duas horas, voltaram para o Largo do Machado e fecharam as pistas da rua das Laranjeiras. Segundo a guarda municipal, o trânsito só foi liberado por volta das 17h.

Eles não aceitaram a proposta do governo, que anunciou nesta quarta um aumento de 8% para policiais civis e militares, bombeiros, agentes penitenciários e professores, em mensagem enviada à Assembléia Legislativa. O reajuste é para funcionários ativos, aposentados e pensionistas (mais de 250 mil servidores).

Professores da rede municipal de ensino também participaram da manifestação. O Sindicato Estadual dos Profissionais em Educação do Rio (Sepe) vai realizar uma assembléia para avaliar se eles entrarão em greve.

Em agosto de 2007, o aumento anunciado pelo governador Sérgio Cabral também foi alvo de críticas críticas. Os 25% anunciados seriam escalonado em dois anos, com impacto de R$ 30 milhões na folha de pagamentos do estado em 2007 e, em 2008, de R$ 80 milhões. Os servidores. Sergio Cabral, dez dias depois, decidiu retirar da Assembléia a mensagem que previa o aumento salarial.

Este ano, como anunciado semana passada pelo secretário de fazenda, Joaquim Levy, foi registrado um superávit (diferença entre receita e despesa) de R$ 1,44 bilhão, demonstrando uma situação favorável, já que o crescimento foi de 46,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

A principal revolta dos servidores foi o fato de o reajuste atingir apenas alguns setores, como Educação, policiais militares e bombeiros, e para a Fundação Apoio ao Ensino Técnico (Faetec) e deixar de fora, por exemplo a saúde o que confirmou o descaso com os profissionais da área.

Para a diretora do Sindsprev/RJ, Silene Souza o objetivo do governo é aumentar o caos nos hospitais, para diminuir a resistência dos usuários à privatização da saúde pública estadual, através das fundações de direito privado, anunciada para o próximo ano. Silene criticou o governo e disse ainda que uma das conseqüências disso será é a ausência de médicos em vários plantões.

[01:41] - 14/08/2008