CULTURA

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Autora americana ensina o caminho da popularidade

Bolívar Torres, Jornal do Brasil

RIO - Diante da emergência de diversos autores liberais na nova literatura juvenil americana, Meg Cabot não arreda o pé. A autora de O diário de uma princesa e outras séries juvenis bem-sucedidas é conservadora. Tem orgulho disso. Diferentemente de seus colegas mais moderninhos, nem pensa em abordar temas espinhosos como aborto ou homossexualismo. Como prova seu romance "Como ser popular", que acaba de ser lançado no Brasil, o universo de Meg, de 41 anos, é mais edulcorado. Está repleto de princesas, líderes de torcida e vigorosos capitães de time de futebol do colégio. Mesmo assim, seus livros vendem como batom entre as adolescentes de coração fraco. Até agora, são 15 milhoes de exemplares mundo afora (só no Brasil, a marca chega aos 600 mil). Nada mal para uma autora que entrou acidentalmente no gênero.

Antes de construir seu império infanto-juvenil, Meg se inclinava exclusivamente para a comédia romântica (gênero que ainda pratica, por sinal). Enquanto escrevia O diário de uma princesa, que mais tarde se tornou um filme de sucesso da Disney, tinha certeza que se tratava de um livro para adultos, até que seu agente a convenceu do contrário.

– Na hora, fiquei surpresa!, confessa a autora, em entrevista ao Jornal do Brasil.

– Tornar O diário de uma princesa um livro para jovens não foi uma decisão nem um pouco consciente. Eu achava que literatura juvenil precisava mostrar gente morrendo ou falar sobre coisas muito sérias, já que foi assim que cresci lendo esses livros. Não fazia a menor idéia de que eles também poderiam ser engraçados.

Velhos estereótipos

O enredo de Como ser popular reflete a, digamos, “escola clássica” da autora: Stephanie Landry, uma garota excluída de sua turma, ganha a ajuda de um velho livro empoeirado, que pode ser a fórmula mágica da popularidade (!!!). Seguindo as lições da obra, vai se tornando uma pessoa cada vez mais bonita e popular, que não se esconde dos outros. De uma hora para outra, já está almoçando com a ala vip do colégio, e atrai o interesse de Mark Finley, o garoto mais bonito de sua turma (não, não, ele não é capitão do time de futebol).

Apesar dos velhos estereótipos, Meg garante que sua literatura não é ultrapassada. Pelo contrário. A autora tem horror às histórias repletas de lições de moral do passado.

– Quando eu era jovem, a literatura juvenil era bastante ridícula, admite.

– A maioria dos livros tentava passar mensagens bobas para os jovens, do estilo “faça a coisa certa ou você morrerá, ou se tornará mãe solteira”.

Hoje, os livros juvenis têm mais entretenimento e mensagens feministas. É por isso que eu odeio a palavra “mensagem”. Enfim, vamos fingir que eu não disse essa palavra.

Meg pode não gostar de mensagens, mas seu livro traz diversos ensinamentos. Há regras claras explicando como uma “garota popular” deve se comportar.

Então, se você quer almoçar com os alunos mais requisitados do seu colégio, assimile: 1) Sempre sorria. 2) Nunca se exiba. 3) Seja um bom ouvinte. E não esqueça: “Pessoas populares são verdadeiras e honestas, nunca falsas e maldosas”.

No mundo cruel e competitivo das escolas americanas – onde volta e meia alguns alunos metralham seus colegas e professores – regras como “Pense no sentimento dos outros em primeiro lugar” ou “Nunca irrite ou zombe das pessoas” podem parecer um tanto crédulas e irrealistas. Meg porém, jura que elas são perfeitamente aplicáveis no dia-a-dia. Para traçar essa fábula de cinderela, a escritora, que é casada com um autor de livros de finanças, pesquisou a fundo a convivência dentro do selvagem mundo corporativo, entre outros universos de intensa competição.

– Todas as regras do livro são reais e foram tiradas de livros atuais e matérias de revistas sobre como ser bem-sucedido no mercado americano e no mundo corporativo (assim como nos compromissos do high society). Eu apenas adaptei-as ao colégio, tentando fazer com que soassem fora de moda, já que o livro achado por Stephanie é bastante antigo. Então, posso dizer sem nenhuma dúvida: não apenas as regras são aplicáveis no dia-a-dia, como é garantido que vão funcionar.

Populares e más

Na era do marketing e das falsas aparências, o tradicional “seja você mesmo” - moral de tantas e tantas histórias juvenis do passado - já não é mais uma certeza. Para Meg, que baseou o perfil da protagonista Steph Landry em seus próprios sofrimentos de juventude, está na hora de mudar essa realidade.

– Sim, para algumas pessoas, ser popular é mais importante do que ser ela mesma. Certos jovens podem negar completamente quem realmente são apenas para estar nas festas “certas” com as pessoas “certas”. Um dia, eu dava palestra num colégio, quando uma garotinha de 8 anos levantou a mão e me perguntou por que as pessoas populares são tão malvadas e mesmo assim continuam sendo populares. E é verdade! O colégio seria um lugar melhor se as garotas legais fossem as populares. Talvez, se trabalharmos juntos dessa forma, isso se tornará possível.

[02:24] - 13/08/2008