Jornal do Brasil
GURION - Pesquisadores da Universidade Ben Gurion, em Israel, desenvolveram um gel à base de algas, batizado de BL-1040, que fortifica o tecido do coração, danificado após um enfarte agudo do miocárdio. A equipe, liderada pela pesquisadora Smadar Cohen, já iniciou testes em pacientes na Bélgica, em Israel e na Alemanha. Se a eficácia do gel for comprovada, o produto poderá ir ao mercado a partir de 2011.
– O BL-1040, atualmente na segunda fase de estudos clínicos, é o primeiro composto que tenta recuperar o tecido cardiovascular – afirmou o médico e chefe executivo da BioLineRx, empresa farmacêutica que desenvolveu o gel para experimentos. – Ele se aplica a uma importantíssima necessidade médica nunca antes abordada.
Mesmo cicatrizado após o enfarte, o tecido do coração se torna mais fino e fraco do que o normal, o que leva o músculo a trabalhar mais para bombear o sangue. Essa fragilidade tende a causar novos problemas cardíacos, como arritmia ou futuros ataques.
Planta restauradora
Derivado de uma alga marinha comum e de cor marrom, o gel auxilia na regeneração do coração, engrossando o tecido e, assim, diminuindo o risco de outro ataque. Ele é injetado em forma líquida por um cateter inserido na virilha. Ao alcançar o tecido danificado, o gel se solidifica, restaurando a região fragilizada.
O líquido, que forma uma espécie de andaime protetor, também revigora a força mecânica do músculo durante sua recuperação, prevenindo o crescimento patológico do ventrículo esquerdo. Depois de seis semanas, a substância biodegradável é eliminada naturalmente do organismo.
Cerca de 40% das pessoas que sofrem um infarto agudo do miocárdio desenvolvem dilatação do ventrículo esquerdo ou insuficiência cardíaca, o que acarreta um risco significativamente maior de mortalidade.
Testes realizados em ratos e porcos mostraram que 90% dos que receberam o gel sobreviveram após terem sofrido um ataque cardíaco, em comparação com 40% que não foram tratados com a substância.
Médicos britânicos acreditam que o gel pode ajudar a reduzir em até 20 mil por ano as fatalidades entre pacientes que tiveram um ataque cardíaco grave.
[02:13] - 13/08/2008