RIO

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Rocinha já tem seu 'fashion mall'

Carolina Bellei, Jornal do Brasil

RIO - Eventos culturais, sex shop delivery, roupas e cosméticos de grife internacional e ainda escritório de advocacia, veterinária e consultório odontológico. Esses são alguns dos serviços oferecidos no Nosso Shopping, uma espécie de galeria a céu aberto, na Rua Ápia, na subida para a Rocinha. De acordo com o administrador do local, Paulo Cesar Carvalho, conhecido como Peninha, apesar de ser em uma comunidade carente, a intenção é oferecer serviços de qualidade e o investimento tem dado retorno.

– As pessoas acham que por estar em local mais humilde não vão ter retorno, mas estão enganados – avalia Peninha, que também tem uma lanchonete e loja no shopping. – Vendo marcas de cervejas difíceis de serem encontradas e cobro R$ 7,50 a unidade. Sempre tem saída.

A loja R Mix, que inaugurou em dezembro, vende marcas como Victoria´s Secret, Roxy, Dolce & Gabbana, Polo Ralf Lauren, entre outras. De acordo com a gerente Tatiana Paula de Sousa, a aceitação dos produtos é boa e o movimento tem melhorado progressivamente.

– No início, o movimento é mais fraco. Mas já conseguimos estabelecer clientela fixa – revela Tatiana. – Durante a semana vêm menos pessoas, mas sexta e sábado a loja fica cheia.

Adriana de Oliveira está na Rocinha há apenas uma semana. Ela trocou Brasília pelo Rio e gostou de saber que pode contar com opções tão variadas no mesmo local.

– É bom saber que não preciso sair da Rocinha para encontrar serviços e produtos de qualidade.

Publicidade local

O escritório de advocacia Marco Antonio Ribeiro da Fonte abriu uma filial há um mês no Nosso Shopping. Segundo o advogado que atende no local, Marco Alencar, o forte do escritório é o atendimento as pessoas mais carentes.

– Temos escritório em Campo Grande, Caxias, Centro. O nosso forte é mesmo pessoas de baixa renda – afirma.

Para atingir o público, os comerciantes e profissionais autônomos contam com uma forte arma, a publicidade veiculada na imprensa da Rocinha.

– As propagandas no jornal e rádio da comunidade dão mais resultado que qualquer outra propaganda – adianta o advogado.

Deusineide Bartoleano, vendedora da sex shop, conta que quando o movimento está fraco, ela mesma vai a rua para distribuir panfletos.

– O retorno é imediato. Quem não sabia, fica sabendo e logo vem conhecer a loja – diz Deusineide, acrescentando que a loja também faz entrega a domicílio.

[00:42] - 13/08/2008